Irão

Visitar o Ziggurat Tchoqa Zanbil no Irão | Viajar no Irão

O velho ditado de que: “Quem corre por gosto não cansa…” não poderia ser melhor aplicado a este nosso dia no Irão.

   Depois de uma longa e “quente” viagem nocturna de 8 horas desde Kermanshah,  sem dormir, e com uma avaria pelo caminho estávamos firmes e fresquíssimos para prosseguir na nossa demanda em visitar um Ziggurat, numa das regiões mais “fora da caixa” no Irão,  a província do Cuzestão !

Primeiro pela zona em si, uma província no sul que faz fronteira com o golfo pérsico bem pertinho do Iraque, hoje conhecida pelo petróleo mas que na antiguidade era “dona” de algumas das cidades mais antigas do mundo, como Susa e Shustar. Diz-se até que terá sido  a partir daqui que nasceu a Pérsia!

 E depois pela época do ano em que a visitámos, Agosto. As temperaturas oscilam “SÓ” entre os 35º à noite e os 49º (para não dizer 50º) durante o dia.

  E porquê então fazer este esforço e vir até aqui ? Resposta: Queríamos ver de bem perto um monumento sobre o qual tínhamos lido dias antes de partir, um Ziggurat.

E o que é um Ziggurat ?

Os Ziggurat são templos em forma de pirâmide com vários níveis que se construíam na mesopotâmia, estando aqui nesta zona um dos mais conhecidos encontrados o: Tchogha Zanbil.

  Estas edificações foram construídas por uma das primeiras grandes civilizações do nosso planeta, os Elamitas , conhecidos pela sua famosa escrita, que podemos ver ainda nos tijolos originais.

Carla e panorâmica de Tchogha Zanbil

   Tchogha Zanbil está situado a cerca de 80km a norte de Ahvaz, a maior cidade desta região e o nosso ponto de partida para visitar este antigo monumento.

   Partimos de táxi desde a rodoviária de Ahvaz até Tchogha Zanbil assim que chegámos. Eram 6 da manhã e estavam 43º.

Fomos directos, pois  pensámos que se fossêmos mais tarde, a temperatura aumentaria  e certamente tornar-se-ia insuportável permanecer na rua por muito tempo, sobretudo devido à conjugação de calor, humidade e cheiro a gás.

 Pagámos 10 euros  a um taxista por uma viagem de 160km (ida/volta) e ainda ficaria à nossa espera para nos trazer de novo para a Ahvaz a fim de apanharmos o autocarro para Shiraz.

A caminho do ziggurat

  Ao longo de praticamente todo o caminho, há fotografias dos jovens soldados que morreram ao serviço do seu país na guerra com o Iraque nos anos 80, o que nos sugere uma  ideia de uma imensa ferida ainda por sarar no coração do povo iraniano.

As marcas desta guerra são profundas , e por todo o lado encontram-se homenagens aos soldados mortos em combate ou mesmo vítimas civis inocentes durante os bombardeamentos de Saddam. De certo modo, a disputa pelos imensos recursos petrolíferos e de gás desta região  em particular, foi uma das causas desta sangrenta disputa.

Voltando ao Ziggurat…

No Tchogha Zanbil, não estava ninguém a não ser o guarda que vende os bilhetes de ingresso num pré fabricado, dissemos que éramos de Portugal e curiosamente respondeu-nos com um “welcome to Iran, you can visit, free”.

   Tínhamos Tchogha Zanbil só para nós !!

   Tchogha Zanbil foi construído por volta de 1250 a.c pelos Elamitas no tempo do rei Untash-Napirisha.

   Era a sua cidade sagrada rodeada por três imponentes muralhas concêntricas, permanecendo no entanto inacabada devido à invasão de um outro povo como atestam milhares de tijolos encontrados sem serem utilizados.

   Com a morte do seu impulsionador, o local foi aos poucos sendo abandonado até ser destruído abruptamente pelo rei assírio Ashurbanipal em 640 a.c.

   Tchogha Zanbil está inscrito no Património da UNESCO desde desde 1979 (http://whc.unesco.org/en/list/113) sendo mesmo o primeiro local do Irão a figurar nesta extensa lista.

Um dos primeiros modos de escrita no mundo, este utilizado pelos Elamitas

   Apesar de inóspito não deixa de ser um local místico, e sentimos essa energia.

Verdade que foi difícil suportar o intenso calor conjugado com a elevada humidade, e o forte cheiro a gás que pairava no ar, mas sentimos que valeu bem a pena o esforço para visitar este local, afinal não é todos os dias que se tem a possibilidade  e o privilégio de ver de perto algo tão antigo e com um tão grande significado na história da região e mesmo do mundo !

Up’s caiu o lenço à Carla…

   Deambulámos por ali perto de 1hora. O taxista esperou pacientemente conversando com o guarda do monumento.

É sem dúvida um local inabitual de um país já de si inabitual para viajar apesar do aumento significativo de viajantes nos últimos anos, se gostar particularmente de história, monumentos, vai mesmo adorar, se não, acho que sabendo ao que vai, também irá gostar.

   Daqui seguiríamos em autocarro em direcção a uma cidade de que gostámos particularmente no Irão, Shiraz.

Paisagem típica desta região perto do Ziggurat

É normal que este lugar fique para trás nas escolhas que se faz quando planeamos visitar o país, não é difícil deixarmo-nos deslumbrar e apaixonar por Teerão, Esfahan, Shiraz, Yazd ou Persépolis,  mas caso estejas decidido a voltar , se gostares de história é um lugar a não perder. Se puderes evita os meses de maior calor, de Maio a Outubro.

Boas viagens!!

22 Comments

  • Reply

    Pedro

    5 Agosto, 2017

    Que interessante! Quando estive no Irã queria muito ir ao sul, mas não aconteceu. Mas também não sabia desses monumentos. Acho que já está na hora de voltar.

    • Reply

      projecto100rota

      7 Agosto, 2017

      Se voltar volte com menos calor hehehe Abraço!

  • Reply

    Lua Ferreira

    5 Agosto, 2017

    O Irã certamente está na minha lista de países que quero visitar e, volt e meia, descubro algo novo que aumenta minha vontade de ir ao país. Além de ser bem bonito, tem tanta história e monumentos que desconhecemos ( pelo menos eu…rs). Obrigada pelo post! <3

    • Reply

      projecto100rota

      7 Agosto, 2017

      Olá Lua, pois neste local é raro mesmo ver turistas hehehe Obrigado!

  • Reply

    Andre

    5 Agosto, 2017

    Ainda não explorei quase nada dessa zona do mundo mas o Irão está no topo da lista de prioridades! Relato e dicas bem interessantes. Obrigado.

    • Reply

      projecto100rota

      7 Agosto, 2017

      Tens de ir André, Obrigado eu!!!

  • Reply

    Itamar Japa

    5 Agosto, 2017

    O Irã é um dos países que mais sonhamos em conhecer! Escutamos muitas pessoas falando tão bem dele e dos seus habitantes! A cada vez que leio um post sobre o país aumenta minha vontade! Este lugar eu nunca tinha ouvido falar e nem imaginava sua existência! Deve ter sido uma experiência muito gratificante conhecer um lugar com tanta história, e sem ninguém pra dividir o espaço! 🙂

    • Reply

      projecto100rota

      7 Agosto, 2017

      Sem ninguém mesmo!! Devem se contar pelos dedos os turistas estrangeiros que por ali passam, mas tinha mesmo curiosidade em visitar. Obrigado!

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    Adriana Mendonca

    6 Agosto, 2017

    Muito interessante esse lugar! Engraçado, nunca tinha ouvido falar. O Irã é um destino que cada vez tem me chamado mais atenção, minha vontade de conhecê-lo está só crescendo!

    • Reply

      projecto100rota

      7 Agosto, 2017

      É um lugar de difícil acesso, longe das rotas turísticas do Irã, além de que as próprias rotas turísticas do Irã também não são muito batidas hehehe

  • Reply

    NiKi Verdot

    6 Agosto, 2017

    Mais um post muito interessante e detalhado, parabéns! Ainda não fui conhecer essa região, mas pretendo colocar o plano em prática um dia. Sem dúvida, um local muito interessante, com muita história, e que deve ser uma tremenda experiência.

    • Reply

      projecto100rota

      7 Agosto, 2017

      Foi mesmo uma tremenda experiência, é a adjectivação mais correcta, sem dúvida.

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    Viviane Carneiro

    7 Agosto, 2017

    Nossa… que post interessante! Ainda não conheço a região, mas deve ser uma viagem incrível. Adorei o post. Bjs

    • Reply

      projecto100rota

      7 Agosto, 2017

      Obrigado Viviane!

  • Reply

    Oh!!!! Me deixaria muito entusiasmada também e com certeza venceria o calor e horas de estrada para ter este privilégio.

    “Numa viagem destas achamos importante saber algo da história do seu povo para entender melhor também o presente, seja ela antiga ou mais recente.” – concordo muito, mas acho que em qualquer viagem isso é importante! Olhar o passado nos posiciona no presente.

    Sensacional estar em um lugar destes!

    • Reply

      projecto100rota

      7 Agosto, 2017

      Também acho ! Aqui quis realçar isso pelo simples facto de que estamos a falar da Pérsia, uma das mais espantosas civilizações da antiguidade.
      Foi mesmo uma experiência avassaladora! Obrigado!

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    Malas pra que te quero

    7 Agosto, 2017

    Quanta coisa interessante! Realmente nunca havíamos ouvido falar deste tipo de “pirâmide”. Pelas fotos parece um lugar muito diferente! E as fotografias dos soldados pela estrada… 😮

    • Reply

      projecto100rota

      11 Agosto, 2017

      É mesmo algo fora da rota ! Mas queríamos visitar, e fizemos o esforço!

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    Luciana Rodrigues

    8 Agosto, 2017

    Tenho muita curiosidade e vontade de ir ao Irã e, esse sítio arqueolôgico que vocês visitaram (e eram os únicos), me deu ainda mais vontade…

    • Reply

      projecto100rota

      11 Agosto, 2017

      Este sítio é mesmo fora da rota, mas nós queríamos mesmo estar lá, força o Irão tem de ir para o seu TOP !

  • Reply

    lid costa

    8 Agosto, 2017

    50 graus durante o dia? Nossa, e as cidades nem devem ter ar condicionado ou tem? Rs
    Acho muito doido como lá na antiguidade eles já construíam essas pirâmides etc sem tecnologia, sem nada…

    • Reply

      projecto100rota

      11 Agosto, 2017

      50 de dia e 40 à noite! Não sei bem se foram o ser humano a construir aquilo…assim como as pirâmides no Egito hehhe

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