Israel, Médio Oriente, Palestina

Visitar Jerusalém | O que visitei na cidade “santa” em 3 dias | Israel e Palestina

É uma cidade sagrada, uma das mais antigas cidades do mundo, berço da história, uma das cidades mais importantes para as três grandes religiões monoteístas e por isso mesmo um lugar disputado desde sempre e quiçá para sempre… É Jerusalém. É cidade do mundo, pertence a todos, mas todos a querem como sua. Surpreendentemente sente-se uma paz no ar que nos deixa respirar fundo.

Jerusalém tem muitas coisas para visitar, o ideal no mínimo serão 3 dias completos.  Sabendo que nem sempre conseguimos estar os dias que desejamos e temos de fazer escolhas deixo-vos este possível roteiro de 3 dias.

DIA 1

Visitei Jerusalém atravessando por terra a fronteira com a JordâniaFoi uma viagem bem curta que me trouxe até à Porta de Damasco. Não poderia ter sido local mais conveniente, pois é um local central que divide a cidade velha da cidade nova e também foi daqui que apanhei transporte para viajar para outras cidades da Palestina e Israel.

É a mais movimentada da cidade devido à proximidade dos mercados árabes. Está virada a norte, e fazia parte da importante via que ligava Jerusalém a Nablus na Palestina e Damasco na Síria.

As actuais muralhas da Porta pertencem aos muros mandados construir no início do século XVI pelo sultão turco Suleiman, no entanto recentemente arqueólogos descobriram parte da entrada mandada erguer pelo imperador romano Adriano no século II.

– PORTA DE DAMASCO

Damascus Gate ou Porta de Damasco

 

– IGREJA DO SANTO SEPULCRO

Foi dos sítios que mais me cativou na cidade. A igreja de fora engana bem e esconde por completo a beleza do seu interior. A luz de penumbra, as pessoas em pranto, as pedras gastas de tanta gente por ali passar, o fumo do incenso, as vestes escuras e distintas dos diversos sacerdotes guardiões do templo, tudo isto cria uma atmosfera única muito para além do significado religioso que o lugar conserva.

Como devem calcular a afluência de peregrinos ao lugar onde Jesus terá sido crucificado é enorme, mas tenho uma boa dica para vocês. Acordem cedinho e estejam à porta por volta das 6.30/7h, se não estiverem para aí muito virados venham ao final do dia, tipo 18.30h, o lugar ainda deverá estar apinhado mas aos poucos as pessoas vão saindo e pelo menos o pátio exterior irá tê lo por sua conta 😉

Aproveitem também que no seu pátio exterior há uma espectacular rede wi-fi aberta e gratuita que me permitiu falar com a família pelo skype enquanto o lugar ficava despido de multidões. 

 

– MURO DAS LAMENTAÇÕES/WESTERN WALL

Localizado no coração da cidade velha, a parte oeste do antigo muro construído pelo rei Herodes aquando da expansão do segundo templo e que suporta o Monte do Templo, é o local mais sagrado do mundo para o povo judeuMilhares de pessoas acorrem ao local para visitar, rezar ou escrever algo –normalmente uma prece- num papelinho que deixam nas fissuras do muro. O muro está dividido em duas secções, uma área para os homens e outra para as mulheres, está aberto todo o dia e todos os dias do ano, excepto quando há cerimónias militares na praça.

Talvez por não estar habituado a ver de perto pessoas desta religião, impressionaram-me muito as demonstrações de fé dos judeus, principalmente dos ortodoxos.

 

– MONTE DAS OLIVEIRAS

A primeira foto engana. Na realidade já não há muitas oliveiras por aqui, estas pertencem ao Jardim de Getsemani situado no sopé do monte onde Jesus terá orado junto com os seus discípulos na véspera da crucificação. Fica o “consolo” que de facto alguns destes belos exemplares têm mesmo mais de 2000 anos como comprova a datação científica efectuada.

Visitei o monte por duas ocasiões. Ao pôr do sol e ao amanhecer. Tudo porque daqui temos fabulosas vistas sobre a cidade santa, pessoalmente gostei mais do amanhecer, quando o sol incide directamente sobre a grande cúpula dourada da mesquita do Monte do Templo.

Vista sobre a cidade velha de Jerusalém desde o Monte das Oliveiras

Grande parte da encosta do monte está preenchida pelo cemitério judeu no qual todos querem ser sepultados. É um lugar que representa muito o elo espiritual entre o céu e a terra, a vida e a morte. Segundo a crença judaica será aqui que Deus começará a julgar os mortos no dia Dia do julgamento.

Outro lugar por onde passei mas que não visitei por estar fechado, foi a capela da ascensão. Segundo a crença neste lugar –que está inserido no interior de uma mesquita- Jesus terá ascendido aos céus e deixado uma pegada numa rocha que é possível ver no seu interior.

Já depois de descer e contemplar as vistas, pelo mesmo caminho que me “trouxe” encontro o que segundo uma forte tradição cristã será o Túmulo de Maria. Fica mesmo em frente ao Jardim de Getsemani numa bonita cripta encravada numa rocha em grande parte construída pelos cruzados.

Recebeu-me um ambiente muito místico no seu interior cheio de candeeiros, lamparinas, padres  com vestes de todas as cores e feitios, freiras, orações, cânticos…incenso, fumaça, cheiro a bafio. Local sagrado para cristãos mas também muçulmanos. Imperdível.


DIA 2

– MONTE DO TEMPLO

Já depois de ter ido ver o amanhecer no Monte das Oliveiras, desci e fui directo a este lugar tão especial.

Poucos lugares no mundo geram tanta controvérsia e fanática devoção. Em contraponto, muitos das grandes religiões monoteístas consideram o lugar mais sagrado à face do planeta. É isto tipo de coisas que faz o ser humano ser aos meus olhos tão simples e complexo ao mesmo tempo.

Para os Judeus, este lugar fazia parte dos dois primeiros grandes templos judeus e foi aqui que segundo a tradição judaica Abraão demonstrou toda a sua fé e devoção sacrificando o seu filho Isaac.

Para os Muçulmanos, foi aqui que o profeta Maomé ascendeu aos céus no século VII. É o terceiro na sua hierarquia dos locais mais sagrados.

Cúpula da rocha

 

– MONTE SIÃO/ZION MOUNTAIN

Já depois de sair do Monte do templo, passear um pouco pela Bairro judaico e visitar o Cardo romano; decido procurar pela porta de Sião ou Zion gate e ir em busca do meu propósito que era encontrar o túmulo de Oskar Schindler que sabia estar por ali.

Um pouco ao acaso acabo por encontrar –através das indicações na rua– outros lugares bastante importantes principalmente para cristãos e judeus, nomeadamente; a basílica da Dormição, que assinala o local onde Maria terá falecido, a basílica de São Pedro Gallicantu celebrando o local onde Pedro terá negado Jesus, e por último surpreendentemente, encontro o túmulo do Rei David aquando da minha demanda para encontrar o lugar onde Cristo terá tomado a última ceia.

Túmulo de Oskar Schindler

Optei por escolher dar destaque a este lugar. Não havia ninguém a visitar, as indicações escasseiam mas para mim era um lugar obrigatório, tinha o privilégio de estar ao lado de um homem bom. Salvou vidas humanas num contexto difícil e por isso, aqui senti algo muito especial. Fazem falta “homens bons.” 

 

– MERCADO DE MACHANE YEHUDA

Precisava de almoçar depois de uma manhã em que andei bastante pelas ruas da cidade velha. Optei por andar mais um pouco, cerca de 3km, e fazê-lo no agitado Mercado de Machane Yehuda na parte nova da cidade. E digo-vos, valeu muito a pena o esforço. Em primeiro lugar visitar esta parte da cidade é como mudar de mundo, mudar de cidade. Muitas esplanadas, avenidas largas e pedonais, cafés, todo o tipo de restaurantes, todo o tipo de gente, grande ambiente.

O mercado, esse, apesar de frequentado por turistas é também amplamente frequentado por locais. Mais de 200 bancas vendem-nos sonhos em forma de peixe, fruta, vegetais, frutos secos, carne, queijos, vinhos, roupa, têxteis…tudo rodeado de bancas de comida que nos aliciam com toda a panóplia de variações da culinária mediterrânica e do médio oriente.

 

– VIA DOLOROSA/VIA SACRA

É um “highlight” sobretudo para quem é cristão. Segundo a tradição cristã, esta via é o caminho percorrido por Jesus desde o momento em que foi condenado próximo da “Lion’s gate” até à Igreja do Santo Sepulcro onde foi crucificado. Algumas estações estão bem assinaladas e é fácil perceber o contexto. No entanto confesso que neste tópico não tenho muito mais informação para vos prestar.

 

 

DIA 3

 

– JARDIM DO TÚMULO

Mais um local surpreendente. A escassos metros da Porta de Damasco visitei o Jardim do Túmulo. Este tranquilo local descoberto em 1867 é cada vez mais apontado por alguns cristãos como sendo o verdadeiro local onde Jesus terá sido sepultado e por sua vez ter sido aqui a casa e o jardim de José de Arimateia.

A entrada é gratuita sendo que pode deixar um donativo para a ajuda à preservação do lugar pois ele é mantido por uma associação independente de origem inglesa criada em 1893 para o efeito.

Entrada do túmulo de Jesus no Jardim do túmulo

Como a estação dos autocarros fica muito perto, foi depois de visitar o Jardim do Túmulo que parti rumo a Ramallah iniciando o meu périplo pela Palestina.

A cidade anda nas bocas do mundo não pelas melhores razões como de costume, mas senti aqui uma paz e tranquilidade muito grandes. A crispação estará escondida debaixo do enorme manto de segurança que lá existe? Não sei. Posso estar a dizer uma grande asneira, ainda assim, arrisco; Não me pareceu nada falsa a tranquilidade. Já o mesmo não consigo afirmar sobre Telavive por exemplo.

Aliás, em Jerusalém trabalham milhares de palestinianos árabes lado a lado com israelitas judeus. Colegas, amigos, patrões, empregados e tudo isso não passa nas notícias. Um desses casos conheci bem de perto durante a minha estadia no campo de refugiados em Belém. 

Ver “in loco” todas aquelas demonstrações e manifestações de fé neste lugar, impressionaram-me tanto como me intrigaram. Ao mesmo tempo sinto-me privilegiado e agradecido por ter tido hipótese visitar a cidade ficando um incomensurável  desejo em voltar com a família.

Como o tempo é sempre escasso nestas coisas, espero sinceramente com este post dar-vos uma pequena ajuda no vosso roteiro pois a cidade tem quase “coisas infinitas” para se ver. Caso tenham dúvidas por favor não hesitem e deixem mensagem nos comentários. Obrigado!

BOAS VIAGENS!!

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