Ásia

VIAJAR NOS HIMALAIAS | 36 dias pelo Tibete, Nepal, Butão e Sikkim/Bengala Ocidental em Outubro 2011| Por João Raminhos Tomé

E aqui estamos nós a 5200m de altitude no acampamento base de Qomolangma*(ver final do artigo) no lado do Tibete dos Himalaias!Quando decidimos embarcar nesta viagem, procurámos na internet uma boa agência local que nos ajudasse a organizar a viagem. Sempre organizámos desta forma as nossas viagens nas muitas que temos feito por esse mundo fora, e por certo, assim continuaremos a fazê-lo.

As agências locais são para nós uma mais valia em comparação com outras intermediárias. Têm um melhor conhecimento do terreno e sobretudo mais actualizada o que pode ser útil em caso de apoio necessário, e acima de tudo conseguimos um melhor compromisso “preço-qualidade”. Depois de alguma pesquisa nos inícios de 2011, veio à baila a “Himalayan Glacier”- sediada em Kathmandu no Nepal,como uma das melhores escolhas, e estamos muito gratos e felizes por esta escolha!

 

EM RESUMO:

Chegada por avião a Lhasa com 11 noites no Tibete na China, viajando depois por terra de Lhasa até Kathmandu no Nepal com paragem no acampamento base do Monte Everest a 5200m de altitude. Seguiram-se 10 noites no Nepal culminando num vôo para o Butão para passar mais 8 noites e finalmente terminar atravessando por terra para Bengala Ocidental e Sikkim na Índia para as restantes 6 noites com um voo final de Bagdogra para Nova Delhi onde outra aventura nos aguardava….. Um total de 36 dias bem preenchidos!

 

O TIBETE:

Que grande experiência! Sobram nos boas memórias do Palácio de Potala, e dos mosteiros de Sera, Drepung, Sakya e Shalu. Sobretudo também nos podemos considerar uns felizardos pois tivemos o privilégio e a sorte de estar nos Himalaias num perfeito dia de céu azul, sem uma única nuvem a pairar. Até o próprio guia ficou estupefacto e confessou-nos que raramente acontece.

Vista geral dos Himalaias num raro dia de céu limpo , daqui avistamos os picos Qomolangma (Everest), Lhotse, Nuptse e Changtse.

 

Quanto a alojamento fora de Lhasa, em Gyantse, Shigatse é básico mas aceitável para uma noite. Tínhamos reserva no Namtso lakeside guesthouse mas como já estava bastante frio decidimos não ficar aí. Decidimos então fazer a viagem ida e volta num dia desde Lhasa até ao lago Namtso e ficámos uma noite extra em Lhasa, o que se revelou uma sábia decisão da nossa parte.

Também decidimos não ficar no Hotel Everest View perto do campo base do Everest, como é mais recorrente, tendo optado por ficar em Tingri. Foi inesquecível a viagem desde Tingri onde a altitude desce abruptamente dos seus 5000m até cerca dos 1500 em Zhangmu!

Finalmente atravessámos a ponte da amizade a pé até ao Nepal. Aqui dissemos adeus ao nosso excelente guia no Tibete e conhecemos a nossa equipa seguinte no Nepal. O melhor hotel no Tibete foi sem dúvida o Kyichu em Lhasa não só pela localização mas também pelo seu conforto e facilidades.

Nós na Praça Barkhor em Lhasa, Tibete, China

 

O NEPAL:

Khatmandu e arredores, Chitwan National Park e Pokhara foram as nossas paragens no Nepal. Nunca esqueceremos as condições das estradas no Nepal e por acréscimo a coragem, bravura e destreza dos condutores neste país!!

Para a viagem de 180km entre as duas maiores cidades do país, Kathmandu e Pokhara, foram precisos cerca de 7 horas por estradas de cortar a respiração flanqueadas por gigantescas encostas e precipícios!

Kathmandu é uma mítica cidade com muitos locais cheios de beleza e requinte para ver, tais como o “Monkey Temple”, e os complexos religiosos Swayambu Nath e Boudhanath stupas.

Pensamos que o melhor lugar foi o Bhaktapur perto de Kathmandu com os seus palácios, templos e a Durbar square, e ainda hoje nos arrependemos de ter não ter ficado por aqui pelo menos uma noite.

O Chitwan National Park tem muitas coisas para ver e está bem equipado. Foi uma grande aventura chegar até lá …. primeiro num pequeno barco e depois calcorrear estradas lamacentas.

Ver rinocerontes e elefantes foi sem dúvida o melhor do parque e valeu bem a pena aí ir! Prosseguindo, fomos em direcção a Pokhara e Sarangkot para ver o nascer do sol em pleno Himalaias, todavia desta vez não tivemos tanta sorte com o tempo pois o nevoeiro tomou conta da manhã e pouco se viu do Annapurna

Um raro rinoceronte no Chitwan Park no Nepal 

Em Pokhara o lago Phewa e a Peace Stupa merecm uma visita o que complementou a nossa estadia de três noites em Pokhara. Aqui o melhor hotel foi sem dúvida o recentemente aberto ao público “Temple Tea resort” em Pokhara. Em Kathmandu o Hotel Shanker tem o charme de um antigo hotel e quartos confortáveis

 

O BUTÃO:

Voar para Paro desde Kathmandu e sobretudo sentar no lado esquerdo do avião é ter uma visão deslumbrante e assegurada logo na primeira parte desta viagem.

Os Himalaias e os seus picos mais altos, incluindo o Everest estavam claramente à vista de todos, além disto aterrar em Paro foi semelhante ao vôo de um qualquer Indiana Jones tendo em consideração as manobras que os pilotos aqui têm de executar devido à ausência de sistema automático de orientação aérea/terrestre. Está tudo nas mãos dos experientes pilotos, nas condições atmosféricas e…Bem vindos à terra do Dragão!

Vista fabulosa sobre um vale no Butão!

Tivemos um excelente guia e condutor à nossa espera para nos transportarem na viagem completa de 9 dias até à fronteira Butão-Índia em Phuentsholing.

Ali estávamos nós,  no único país do mundo onde expressamente proibida a venda de tabaco (para desespero da minha mulher) e também fumar em espaços públicos. Como sabem é também consecutivamente considerado pelo “Gross Happines Index” como o “país mas feliz do mundo” . Por coincidência, chegámos a Paro no último dia das celebrações do casamento real, e que grande acontecimento que foi!

Os lugares que visitámos são carregados de história e acompanhados de cenários deslumbrantes! Vale a pena uma visita a todos os “Dzongs”particularmente em Trongsa, Punakha e Rinpung em Paro.

O Mosteiro Trongsa Dzong no Butão

Tivémos a hipótese de nos sentarmos com os monges no Mosteiro Dzong em Trongsa e testemunhámos durante uma hora uma das orações diárias. Para nossa surpresa o Butão ofereceu-nos os melhores alojamentos de toda esta nossa aventura, com especial menção para o Tashi Namgay resort em Paro, Yangkhil resort em Trongsa (com uma magnífica vista sobre o Dzong de Trongsa!), e o Punakha Meri Puensum resort com vista sobre os imensos terraços de arroz, o vale e os seus rios. Todos os hotéis têm Wi-fi grátis, num país em que a TV não existiu até ao ano de 1999!

As lendas e histórias do louco Drukpa Kunley são também um lado muito interessante da história do Butão, e faz-nos perceber porque tantas casas e restaurantes têm símbolos fálicos nas entradas “protegendo as suas instalações”.

Uma viagem ao Butão fica incompleta sem fazer a caminhada montanha fora até ao Mosteiro Takstang »Tigers nest», situado a cerca de 3200m de altitude nos arredores de Paro, significando uma subida abrupta desde o nivel 2200m em Paro, com uma subida e depois descida exigente de 1000m…mas vale bem a pena a ida até ao topo!

O célebre Mosteiro Takstang a 3200m de altitude nos arredores de Paro-Butão

Sendo português fiquei muito feliz e orgulhoso em saber que talvez dois portugueses Jesuítas no século XVI tenham sido os primeiros europeus e quiçá estrangeiros a visitar estas terras.

 

O SIKKIM E BENGALA OCIDENTAL:

Na fronteira entre o Butão e a Índia, deixámos o nosso excelente guia e condutor do Butão e outros dois esperavam por nós para nos acompanharem nos últimos 7 dias da nossa jornada pela região dos Himalaias. As próximas paragens seriam Darjeeling, Gangtok e Kalimpong!

Vista de Darjeeling na West Bengal-India

Chegados ao destino, ficámos siderados pela grandeza das montanhas e dos campos de chá. Devido às condições da estrada e ao recente terramoto, alguns troços revelaram problemas e talvez a sequência dos lugares que visitámos não tenha sido a melhor, mas tudo isso ficou anotado para futuras viagens e nesta parte do mundo todos sabemos que as condições mudam muito rapidamente.

Cremos que neste região três noites de estadia em cada local resultará melhor do que apenas duas de modo a permitir um melhor aproveitamento entre outras da incrível linha de comboio a vapor ao longo dos campos de chá.

Paisagens de Sikkim-Bengala Ocidental

O Zoo em Darjeeling e o Himalayan Mountaineering Institute são algo a não perder! Também ficámos a perceber que a vista sobre o Mosteiro Rumtek é melhor se for no caminho em direcção a Gangtok ao invés de o fazer vindo de Sikkim.

                        Lobos no Zoo de Derjeeling

Estranho foi ao chegar a Sikkim precisar de autorização para entrar na ponte que separa a região da Índia…mãe, digamos. Uma foto é necessária assim como o preenchimento de um formulário, e até mesmo os passaportes são estampados com um carimbo próprio de Sikkim, embora estejamos ainda na Índia!

Mosteiro Ghum em Darjeeling

Obrigado Himalayan Glacier por fazer desta viagem uma inesquecível experiência na majestosa cordilheira dos Himalaias e pelos templos budistas desta regiões!

João Raminhos Tomé, Portugal, Outubro 2011

*Qomolangma é o nome dado no Tibete ao Monte Evereste assim como Sagarmāthā do lado Nepalês. O nome “colonial” Everest foi atribuído sobretudo por razões de marketing. Na minha opinião o nome mais correcto será Qomolangma ou Chomolungma. É a mais alta montanha do mundo com 8848m de altitude e está localizado na secção de Mahalangur dos Himalaias.

Em 1865, o nome “Everest” foi dado por um oficial inglês da “Roayal Geographical Society” sob a recomendação de Andrew Waugh, em  homenagem ao se antecessor no cargo Sir George Everest. Embora os Tibetanos tivessem chamado o Everest  de “Chomolugnma” durante séculos, Waugh não tinha conhecimento disso pois o Nepal e oTibete estavam fechados aos estrangeiros.

 

 

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