Portugal

Roteiro de 3 dias na Serra do Açor | Visitar o Centro de Portugal

Desde o Pico Cebola, o ponto mais alto da Serra do Açor avista-se a Serra da Estrela ao fundo !

Entre as mais visitadas Estrela e Lousã está a Serra do Açor, terra de mitos, lendas e de gente de peculiar resiliência e genuinidade! Vem comigo explorar o que a Princesa das serras te pode oferecer!

Considero-me parte desta terra, vivi aqui entre os 7 e os 15 anos de idade e apesar de neste momento já estar há mais tempo a viver fora, o sentimento de pertença ao lugar é ainda muito superior a outras candidatas ao lugar.

Deixo-te por isso uma sugestão de um roteiro para 3 dias misturando caminhadas, cultura, praias fluviais e alguns “segredos” que só tu mereces saber!

DIA 1 Côja | Fraga da Pena | Mata da Margaraça | “Serradura e colheres de pau” | Urtigal

Ponte da Ribeira da Mata em Côja

A Vila de Côja é uma base excelente para visitar toda a região, é verdade que a oferta de alojamento é escassa, mas está em crescendo, por isso iniciar este roteiro em Côja é uma escolha que faz sentido.

A Vila de Arganil também é uma excelente opção, e oferece uma variedade de alojamentos mais diversa mas confesso que acho a vila de Côja mais prazeirosa.

Um pouco mais afastado –pertencente ao concelho de Tábua-mas lindo e caso pretendas um alojamento que te permita também relaxar para além das quatro paredes de um quarto, uma excelente opção é o GLAMPING | QUINTA DOS CORGOS

Neste primeiro dia depois de devidamente instalado, visitaria a aldeia de Luadas.

PROVAR A SERRADURA NAS LUADAS

A escassa distância de Côja podes visitar esta aldeia pouco conhecida e provar uma das igaurias da região, a “serradura”, uma bebida especial feita pelo Sr. Arlindo. É conveniente que seja acompanhada de uma sandes de queijo serrano e presunto. Se o fizeres estás já a cumprir uma tradição serrana, o “mata-bicho”. Aquele lanchinho a meio da manhã para dar força e fazer cumprir a expressão “matar o bicho”. Mas calma, não existe qualquer tipo de violência, “matar o bicho” significa: matar a fome.

A MATA DA MARGARAÇA | A CASCATA DA FRAGA DA PENA

De estômago reconfortado vai directo até à Mata da Margaraça, um dos últimos redutos da floresta autóctone do Açor. A minha ideia é que leves o almoço e de seguida depois de calcorreares os caminho da mata possas fazer um pic-nic junto da cascata da Fraga da Pena, se estiver calor atreve-te a dar um mergulho na água fresquinha da serra 😉

O SR.JORGE E AS SUAS COLHERES DE PAU

Vindo da Fraga da Pena irás passar por uma aldeia situada acima da mais conhecida Benfeita, os Pardieiros. A aldeia é bonita sim, mas gostaria que procurasses o Sr.Jorge, o das colheres de pau, toda a gente na aldeia o conhece e até na região, é quiçá o artesão mais conhecido de toda a beira serra. E digo-te, além de apreciar a sua arte não hesites em dar dois dedos de conversa. É uma pessoa de uma generosidade fora do comum.

Ribeira da Mata na Mata da Margaraça

TERMINAR O DIA NO URTIGAL | BARRIL DO ALVA

Sabes que na região há muitas praias fluviais. Mas há sempre uma mais selvagem preferida dos locais e mais concretamente dos jovens, essa aqui chama-se praia do Urtigal na aldeia do Barril do Alva a 3 km de Côja.

Bem perto da bonita ponte que liga as margens do Alva entre as freguesias do Barril e de Vila Cova está um caminho de cerca de 2 km que te leva a este pequeno segredo do Açor, mesmo de inverno vai, é lindo!

Na praia do Urtigal

DIA 2 Caminhada Piódão-Foz d’Égua-Piódão

Rua do Piódão

Eu sei, estás já a dizer: “já fui ao Piódão”. Mas permite-me perguntar: Já fizeste a caminhada de cerca de 7 km entre a aldeia de xisto mais conhecida de Portugal e a Foz d’Égua ? “. Eu também nunca o tinha feito até há bem pouco tempo e acreditem que perguntava-me a cada passo o porquê de não a ter feito antes.

Ao som da ribeira lá ao fundo percorremos estes trilhos, outrora de pastores e foragidos mas também de pastores foragidos. São muitas as lendas nestas terras ligadas a alguém que por aqui se veio esconder. É no fim do mundo que muitos se encontram. Eu sou um deles.

Memorial de Miguel Torga

O trilho está bem sinalizado e é circular. Já o fiz 3 vezes e comecei sempre pela margem direita, sendo que desta forma na ida o caminho é sempre a descer, mas na volta irás apanhar uma valente subida no primeiro quilómetro. Com uma paragem na Foz d’Égua de 1 hora para descansar e porventura dar um mergulho, demorarás cerca de 5 horas a percorrê-lo. Nas calmas.

DIA 3 Fazer o percurso rodoviário do Vale do Ceira | Passar a tarde com um pastor e ajudar na gestão florestal da serra

Esta é aquela sugestão “fora das habituais rotas”. A Serra do Açor é visitada sobretudo na sua parte norte, em parte devido à popularização do Piódão. Todavia a quarta serra mais alta de Portugal tem muitos cantinhos ainda por descobrir e que valem bem a pena explorar.

Um dos quais é a rota rodoviária do vale do Ceira que vem sendo cada vez mais promovida pelo Município de Góis. Para a fazer tens de iniciar em Góis junto do quartel dos bombeiros onde está a placa sinalética do “Vale do Ceira”, esse é o caminho a seguir, sempre pela panorâmica estrada M453 em direção à aldeia do Colmeal acompanhando o troço do rio Ceira.

Uma dica sobre a dica; faz um pequeno desvio e visita a aldeia “preservada” do Soito.

Serra do Açor

AJUDAR NA GESTÃO FLORESTAL DO AÇOR COM UM PASTOR

Luís, um pastor da Serra do Açor

Quero apresentar-vos o Luís, um jovem pastor ex-colega meu de escola e de turma. O Luís não é apenas um pastor que cuida do seu gado. É muito mais do que isso. Conjuga a gestão do seu rebanho de cabras com a gestão florestal, fazendo um trabalho incrível de preservação, protecção e reposição da floresta autóctone do Açor, tão fustigada pelos incêndios.

No topo da serra, sozinho, com uma vista que alimenta qualquer alma, o Luís através da sua página REBANHOS DO AÇOR faz a divulgação do seu trabalho com muito orgulho e que –digo eu- merece ser o mais divulgado possível!

A somar a isto é possível também fazer um tour pela serra por lugares pouco conhecidos e porventura até o ponto mais alto da serra, o Pico Cebola, não te escapará, se tiveres sorte poderás ainda provar iguarias típicas da região feitas pela mãe do Luís.

Ao visitá-lo sei que estou a contribuir para a melhoria da floresta e fauna locais, já o fiz duas vezes, e conto visitá-lo de novo e se possível com mais pessoas que se queiram juntar a mim. Caso não o possas fazer, podes sempre ajudar apadrinhando um dos seus animais. Considero ser o lugar ideal para finalizares aqui o teu roteiro pela Serra do Açor, terra de mitos e lendas!

Não saias daqui sem ver o pôr do sol!

Se quiseres prolongar o teu roteiro para 4 dias poderás pernoitar na última noite em Góis e visitar pela manhã esta pequena vila sede de concelho, visitar Côja ou relaxar e usufruir da piscina da Quinta dos Corgos !

SUGESTÕES DE ONDE COMER

  • PIÓDÃO: Restaurante “O FONTINHA”

SUGESTÕES DE ONDE DORMIR

  • CÔJA: Pensão Victocális

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