Irão

Curdistão Iraniano dia 2: A razão de ser desta foto

Temos ouvido vários viajantes dizer, que o que os fascina ou atrai mais num país, apesar dos monumentos ou paisagens são as suas gentes.

   Nunca até esta nossa experiência no Curdistão Iraniano tinha entendido realmente o que querem dizer…

Família Curda, esse perigoso povo…

Tínhamos descansado e refrescado o corpo com um duche. Agora era encontrar uma loja que nos pudesse resolver a questão do telemóvel e enfim, dois dias depois puder ligar para casa.

O problema era o seguinte: No Irão os nossos telemóveis não funcionam, porquê ? Porque no nosso caso os telefones estão bloqueados à rede Vodafone e o cartão iraniano da rede MCI que comprámos como é lógico não funcionava.

Agora imaginem tentar desenvencilhar tudo isto onde ninguém falava Inglês !!!

Ok, “vamos ter que ver se há um sítio onde consigam desbloquear um dos nossos telemóveis.”

E lá estamos nós, no meio de uma grande cidade iraniana, no Curdistão, com um calor brutal, sem que surja alguém que fale inglês, e com uma pressa doida para ligar para casa !!

Percorremos várias ruas, batemos a algumas portas, não conseguimos nada. Vamos para o hotel, talvez nos deixem ligar para casa e dizer que estamos bem, apesar de estarmos a cerca de 150km da fronteira com o Iraque.

  

Assim foi, claro que não iriam recusar essa ajuda, ligámos e descansámos a família dizendo que não estávamos em nenhum cenário de guerra e que o pessoal era espectacular.

Decidimos perguntar ao senhor do hotel se conhecia um sítio onde pudéssemos resolver a questão do telemóvel. Pois bem, lá nos explicou que a cerca de 100m havia um pequeno shopping que tinha uma lojinha que nos poderia valer. Obrigado !!!

Lá fomos nós (quase a correr). Estava fechado… “e agora ? Não tem horário na porta…”

Em frente numa loja que nos parece ser de produtos para o pessoal ficar “cheio de músculos”, um homem diz-nos que o dono foi almoçar e volta…entretanto.

O entretanto demorou 3 horas…

Lá estamos nós à espera…

De repente surge ao cimo das escadas um rapaz novo, com telemóvel na mão, chaves na outra e com ar de quem é reparador de telemóveis (seja lá o que isso for).

É ele mesmo, vem, encaminha-se para o seu estabelecimento.

Entramos e estamos rodeados de tudo o que é aparelhos electrónicos desmontados. Bom sinal, pelo aspecto julgamos que vai conseguir resolver a situação.

Primeiro obstáculo, fala zero de inglês mas mesmo zero !!! Tudo bem, temos um computador à frente, siga a fazer a tradução no Google tradutor… Barraca. Bem sabemos que aquela coisa por vezes em frases desvirtua o contexto. Omid (nome do rapaz) escrevia em farsi e nós em Inglês…

Por fim, pensamos que ele nos terá entendido, pega no meu Nokia, faz umas chamadas vê códigos, e não sei que mais… dá-mo para a mão e por gestos diz para experimentar. Não funciona.

 

Cartão SIM iraniano MCI
Cartão SIM iraniano

   Conclusão uma hora depois: Temos de comprar um telemóvel pois ele não consegue desbloquear o nosso.

   Omid vai connosco, e fecha a loja… Preciosa ajuda. Voltamos e já temos um Samsung que nos custou cerca de 20 euros. Omid faz todas as diligências necessárias para colocar aquilo a funcionar, notem que para comprar um simples cartão SIM têm de tirar fotocópia do passaporte e do visto para registar na operadora, faz sentido. Omid tratou disso tudo.

  Temos telemóvel a funcionar !

  Perguntamos quanto é, Omid diz: NADA. Perdemos nestas voltas todas mais de 2 horas e Omid tinha a loja fechada…

  Recorrendo ao Google tradutor, Omid nas despedidas convida-nos para ir a casa da sua família jantar. Não nos sentimos bem dizer que não. Confiamos no rapaz, depois de tudo o que fez por nós e não pedir nada em troca, só pode ser boa gente.

   Julgamos que fechou antes da hora, certamente Omid estava entusiasmado e orgulhoso por receber estrangeiros em sua casa, Omid não sabia onde era Portugal e não conhecia Cristiano Ronaldo, sabia apenas que éramos de longe e que nunca tinha visto turistas por ali.

   Apanhámos um táxi que Omid pagou. Chegando a casa da sua família somos prontamente recebidos pelo seu pai, mãe e irmã .

   Muito sorridentes convidam-nos a entrar, a irmã de Omid está a estudar e fala um pouco de Inglês.

   Sentamo-nos no chão da sala que está coberta de tapetes. Dizem a Carla para se pôr à vontade, a irmã de Omid insiste mesmo em que Carla tire o lenço.

   Fazem-nos muitas perguntas, pedem para ver as fotos que temos do Irão e do nosso país e assim fazemos, ficam genuinamente interessados e curiosos.

   Hora de jantar, reunimo-nos todos em volta de uma bela salada de tomate, pepino e uma erva muito aromática que não consegui identificar a acompanhar um….spaguetti à bolonhesa iraniano. Muuuuiito bom, verdade.

   Insistem, insistem para comermos mais.

   Notamos que não há tanto distanciamento entre a mãe de Omid e nós como seria de esperar, sobretudo num país muçulmano. Pelo contrário, tenta falar e muito connosco. Estamos no Curdistão…Até pelas roupas usadas (mais coloridas) se nota maior abertura nas mulheres.

   Já é tarde, pouco nos entendemos, mas conversámos muito…!

   Percebemos que a mãe de Omid tentou várias vezes que ficássemos a dormir em casa deles.

Dissemos que não poderia ser porque já tínhamos pago o hotel e tínhamos lá todos os nossos pertences e produtos de higiene.

   Poderíamos ter tirado mais fotos mas quiçá embrenhados nesta valiosa experiência nem nos ocorreu.

  Por fim temos de ir embora. Despedidas feitas, contactos trocados, saímos. Omid sai connosco.

Chama um Táxi. Fala com o taxista dá-lhe dinheiro e diz-lhe onde estamos alojados. Quando me apercebi que Omid está a pagar ao taxista para nos levar de volta peço para não o fazer, Omid diz colocando a mão no peito:

“You welcome, you my friends”. E é isto amigos. O melhor das viagens são as pessoas !

 

   Como a nossa visita a Sanandaj foi uma experiência sobretudo com o seu povo, tivemos pouco tempo para visitar a cidade, no entanto deixamos algumas fotos para despertar curiosidades.

Pode ver aqui vídeo em Inglês acerca da cidade:

clique aqui:  SANANDAJ:

Algumas fotos

Traje tradicional curdo
Ruas de Sanandaj

 

Interior da Mesquita Masjed e Jameh
Entrada da Mesquita

20 Comments

  • Reply

    Gê Azevedo

    5 Novembro, 2016

    “O melhor da viagem são as pessoas!”
    Que rica experiência a que você teve com essa família!
    Mas, não pude deixar de ficar um pouco aflita com essa história do telemóvel!

    • Reply

      projecto100rota

      5 Novembro, 2016

      Sem dúvida Gê, as pessoas são com quem nós lidamos, tem de ser mesmo o melhor, seão estamos tramados hahaha

  • Reply

    Mirella Matthiesen

    5 Novembro, 2016

    Que experiência incrível! E que sorte ter encontrado uma pessoa tão boa quando o Omid nessa viagem, hein?!
    Tivemos uma experiência semelhante na Tunisia, os muçulmanos sabem realmente como tratar visitantes 🙂

    • Reply

      projecto100rota

      7 Novembro, 2016

      Pois sabem Mirella, boas viagens !

  • Reply

    Ana Carolina Miranda

    5 Novembro, 2016

    Nossa que aventura… Confesso que ficaria muito nervosa, se fosse comigo esta confusão do telefone. Também não falo inglês, mas já está na lista de coisas que pretendo fazer, pois ajuda muito nestas horas.

    • Reply

      projecto100rota

      7 Novembro, 2016

      É verdade, cada vez mais o inglês é a linguagem universal. Boas viagens !

  • Reply

    Susana - Viaje Comigo

    6 Novembro, 2016

    Bem… que grande história!!!! Ainda bem que apareceram essas pessoas no vosso caminho. Que sorte! E que maravilha de encontro e que gente simpática! Boas viagens!

    • Reply

      projecto100rota

      7 Novembro, 2016

      Olá Susana ! No Irão situações difíceis resultam em coisas boas hahah, boas viagens !

  • Reply

    Josiane Bravo

    6 Novembro, 2016

    E razões para viajar são infinitas né, agora essa experiência de conhecer uma nova cultura é uma das minhas favoritas. Mas onfesso que ia ficar um pouco aflita também com esse probleminha do telemóvel. Hoje em dia estamos tão conectados, que nem sei como ficaria em uma situação como essa.

    Abraços

    • Reply

      projecto100rota

      7 Novembro, 2016

      Ainda há cabines telefónicas que nos ajudam e pessoas maravilhosas ! É bom desconectar um pouco, “andamos” a ficar demasiado agarrados a aparelhos electrónicos, boas viagens !

  • Reply

    Nanda Castelo Branco

    6 Novembro, 2016

    Num lugar onde a gente não entende o idioma e o choque cultural é grande, ter contato pessoas assim faz toda a diferença na experiência da viagem!

    • Reply

      projecto100rota

      7 Novembro, 2016

      bem verdade Nanda, boas viagens !

  • Reply

    Paula Cristina

    6 Novembro, 2016

    Nossa, que relato fantástico! Confesso que não tinha lido uma história de alguém que interagiu tanto assim com curdos. Está acontecendo tudo tão longe que é bacana ter alguém contando como as coisas são fora da zona de guerra. E muito lindo o Omid falando que vocês são bem vindos, e são considerados amigos. Concordo com você, mais do que os lugares que a gente visita, o que fica são as pessoas que conhecemos.

    • Reply

      projecto100rota

      7 Novembro, 2016

      Os curdos são um povo maravilhoso, alegre e colorido, um pouco contrastando com o “cinzento e preto” de alguns muçulmanos. Boas viagens !

  • Reply

    Luciana Rodrigues

    6 Novembro, 2016

    Meus amigos também ficaram com uma família local quando foram lá. Acredito que as pessoas realmente fazem toda a diferença na nossa viagem.

    • Reply

      projecto100rota

      7 Novembro, 2016

      Fazem sim Luciana, boas viagens !

  • Reply

    Gisele

    6 Novembro, 2016

    Taí um lugar que nunca tinha pensado em visitar, mas agora estou com vontade. Gostei mto das fotos e fico feliz pelo encontro que o destino proporcionou a vocês.

    • Reply

      projecto100rota

      7 Novembro, 2016

      É uma região muito bonita e com um povo maravilhoso, vá Gisele ! Boas viagens !

  • Reply

    Marcella Pacca

    9 Novembro, 2016

    UaU!! Que experiência emocionante! Esse é o tipo de experiência mais enriquecedora em uma viagem, na minha opinião. Conversar com as pessoas, ver e entender o seu modo de viver, ainda pensar que somos seres humanos gentis! Que delícia de relato e que bela história agora tem para contar! =)
    PS- adorei a “loja dos músculos”. Rs

    • Reply

      projecto100rota

      10 Novembro, 2016

      É mesmo Marcella ! Boas viagens !

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