Portugal

SERRA DA ESTRELA-Rota das Faias

Parte do percurso já no interior da Floresta das Faias

“Tomámos-lhe o gosto. A partir de agora nada será como antes, pois não ?”

Foi com esta frase que terminámos um soalheiro (e quente) fim de semana de Outubro na serra mais alta de Portugal continental, a Serra da Estrela.

A propósito disto: Nunca mais direi que “conheço Portugal”. Poderei dizer isso sim: “Conheço algo aqui e ali”.

Depois de tantas vezes ter visitado a Estrela nunca, mas nunca, tinha ouvido falar na “ROTA DAS FAIAS”. Lógico que, na maior parte das ocasiões, temos de estar abertos para absorver e interiorizar tanta informação sobre tantos lugares bonitos que tem o nosso país. E comigo nem sempre foi assim. Sou sincero convosco. Nem sempre me apercebi o suficiente do quão bem nos faz caminhar pelo meio da natureza, nem sempre dei o devido valor  e AGRADECI  o suficiente à floresta, aquilo que ela me proporciona: o ar que respiramos.

Mea culpa. Perdoem-me.

Bom, mas eu não estou aqui para falar de mim, e tampouco isso há de vos interessar aí por aí além, ou nada mesmo, hehehe.

Vila de Manteigas “guardada” pela Estrela.

Eram cerca de 10h da manhã quando chegámos ao ponto inicial da caminhada.

Porque se chama então ROTA DAS FAIAS ? Deve-se ao facto deste trilho passar no interior de uma floresta de faias plantada no início de século XX. Mas olhem que não há só faias por aqui. Poderão também ficar a conhecer os famosos “Pinheiros do Oregon” além de redescobrir a nossa floresta primitiva, carvalhos, medronheiros, rosmaninhos, tomilho selvagem…

Digo “redescobrir” propositadamente. Sinto-me triste quando viajo por grande parte de Portugal e vejo: Eucaliptos, eucaliptos, eucaliptos, alguns pinheiros, e depois eucaliptos e mais eucaliptos…

(Meus caros Australianos se um dia acharem que têm Koalas a mais podem enviar para cá alguns, julgo que se irão adaptar bem e nós tomamos conta deles. Mas só Kolazinhos, nada de aranhas, crocodilos, serpentes e bichos estranhos aí do “down there”.)

Aliás, para uma diversidade ainda maior de paisagem poderá começar em Manteigas, contudo com o nosso filho  ainda não completou duas primaveras, seria uma tarefa hercúlea fazer o percurso a partir daqui. Começámos pois no ponto “oficial” de partida que se situa alguns quilómetros após a saída que indica Covão da Ponte, na estrada nacional 232 (EN232), direção Manteigas-Gouveia.

A paisagem logo aqui prende-nos uns minutos. Avista-se daqui todo o vale em direção a Manteigas com o Vale Glaciar do Zêzere bem definido ao fundo. As crianças não enganam. O Rafael sentiu logo a imensidão e grandiosidade da paisagem com o seu dedo indicando nessa direção de uma forma contemplativa.

Paisagem no início da caminhada (vale glaciar do Zêzere ao centro)

O trilho é circular e tem cerca de 5,4Km podendo chegar aos 6,5Km com derivações. Vai andar algumas dezenas de metros em plano e depois uma bifurcação. O ideal será seguir os ponteiros do relógio. Claro que nós não o fizemos hahahaha. Fizemos o mais difícil porque subimos incomensuravelmente mais, hahahaha. Ok, ok estou a brincar.

A nossa ideia inicial era só ir até à parte que SUPOSTAMENTE seria mais interessante e diferente, a FLORESTA DAS FAIAS e voltar para trás pois não sabíamos bem como se iria portar o herdeiro. Ora, já no interior da floresta fomos abordados por um grupo de caminheiros que nos motivou a continuar, e que não seria difícil para o miúdo fazendo umas paragens, como seria de esperar, (e muitas vezes transportando-o ao colo!).

Ficámos deslumbrados. E o ar ? o ar puro…

Não viemos no pico do Outono, o amarelo ainda não dominava. Ainda assim foi magnífico. Se puderem venham até aqui lá para os inícios/meados de Novembro, pagam o mesmo e vão ver por aqui a floresta a ganhar tons dourados contrastantes com o verde do resto da paisagem, espetáculo de cor ao vivo. Grátis.

No interior da floresta das faias o percurso é em ziguezague e para quem vem no sentido certo a descer, é relativamente curto. Faça devagar. Respire. Contemple. Usufrua.

Nós, como íamos a subir e estava a aproximar-se a hora do lanche para o pequenote, tivemos de arrepiar caminho. Teríamos agora os majestosos “pinheiros do Oregon” a fazerem-nos sombra. Impressionam pela sua altura e forma, são impressionantemente…direitos !

Continuando a subida chegamos à Capela de São Lourenço e lanchamos. Além das vistas panorâmicas sobre a planície que se estende até Espanha, fomos orgulhosamente acompanhados de Carvalhos com cerca de 500 anos.

Capela de São Lourenço

Carvalhos da época dos Descobrimentos

A partir daqui até ao final a distância é curta e praticamente a descer. Foi bem mais fácil do que estava à espera. Mas não se iludam, estamos na montanha e há que respeitar SEMPRE esse importante factor, nomeadamente no que diz respeito ao clima, a não ser num dia com sol firme e céu azul, poderá haver alguma surpresa. Vá sempre prevenido nessa situação.

Correu tudo como tinha idealizado. A andar relaxadamente como deve ser feito, demorámos cerca e duas horas e meia. Agora era hora de combater a fome e para isso descemos até à vila de Manteigas onde não faltam boas opções gastronómicas. Como já referi no post sobre a escapadinha à Ericeiranão sou grande adepto de aconselhar locais para se comer, portanto deixo só a sugestão do restaurante onde almoçámos a seguir à caminhada. Onde quer que vá irá encontrar decerto algumas das iguarias regionais como a Feijoca e a Truta assada e…cabrito assado.

Gostam de caminhadas ? Gostam, mas ainda não deram o primeiro passo ? Venham até aqui, vão ver que vão ser mordidos pelo “bichinho”. Nós pelo menos fomos…

Boas viagens !

ONDE COMEMOS:

Restaurante “O TRENÓ”- Estrada da Lapa- Manteigas,Tel: +351 275 982 071

 

COMO CHEGAR:

 

18 Comments

  • Reply

    Ana

    11 Novembro, 2017

    Inacreditável, já estive tantas vezes na Serra da Estrela e ainda não conheço a rota das faias (na verdade, nunca tinha ouvido falar sequer)! A floresta é lindíssima e fui espreitar fotografias de como fica no Outono – surpreendente. Adoro caminhadas portanto da próxima vez que for a esses lados não me esquecerei de incluir no roteiro!

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      projecto100rota

      12 Novembro, 2017

      Olá Ana, pois nem nós…conheci graças ao “Viagens á solta”. Se fores agora irás apanhar os tons dourados. Força aí !

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    Marlise

    12 Novembro, 2017

    Oiii… amei esta dica. Estou programando uma viagem à Serra da Estrela e este tipo de programa é a minha cara. Vou fazer com certeza.!

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      projecto100rota

      12 Novembro, 2017

      Oi! Que bom Marlise, acho que vai adorar !

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    Angela Castanhel

    12 Novembro, 2017

    Que lugar mais lindo. Essas arvores ao redor, as folhas caídas… imagino que gostoso que deve ser respirar esse ar. Adorei o post

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      projecto100rota

      13 Novembro, 2017

      E não fomos na época alta do Outono, estaria tudo dourado !

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    Robba Caravieri

    13 Novembro, 2017

    Ainda não conheço esse lugar e já considero pacas! Amei a sua matéria e as fotos estão sensacionais. Valeu pela dica, vu guardar aqui pra usar em muito breve, inclusive. Abraços pra vocês

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      projecto100rota

      13 Novembro, 2017

      Obrigado Robba , vem a Portugal em breve ? Abraço !

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    Maria João Proença

    13 Novembro, 2017

    Portugal é mesmo um país muito especial 🙂 Devo ir em breve lá acima, vou guardar as tuas dicas! Ah e se quiseres assino essa petição para recebermos koalas da Austrália!! Apoiadissmo 😉

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      projecto100rota

      14 Novembro, 2017

      Olá Maria, pois…ao menos tínhamos algum proveito dos “aclipes” hahaha

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    Pedro Henriques

    16 Novembro, 2017

    Olá Francisco! Não sabia que a Serra da Estrela tinha um trilho tão bonito e já andei por aí perto. Adoreo as fotos do caminho coberto de folhas, dá um ar mais natural, porque parece-me um estradão florestal. Diz-me o trilho não tem partes de apenas de pé posto, ou o caminho tem sempre este perfil?

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      projecto100rota

      20 Novembro, 2017

      O caminho é bem acessível, força aí com o gaiato!

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    angela sant anna

    16 Novembro, 2017

    aeuaehauhe adorei a ideia de enviar os koalas hauea importa só os bichos fofos sem veneno da australia pq lá é teeenso aheuahe se bem que koalas brigando fazem uns barulhos guturais das profundezas do inferno aheuaeh

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      projecto100rota

      20 Novembro, 2017

      hahaha pois é anela, só falta cá o koala porque eucalipto já tem de sobra, se quiseres dar um pulo à Austrália da europa vem a Portugal hahaha

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    Renata Rocha Inforzato

    17 Novembro, 2017

    Adoro caminhadas e adoraria fazer essa… E os pinheiros são lindos. Ah, e pode dar dicas de lugares pra comer que a gente adora

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      projecto100rota

      20 Novembro, 2017

      Na serra come se sempre bem e ainda bem ehhehe

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    itamar japa

    17 Novembro, 2017

    Somos muito adeptos das trilhas e seria muito legal ter a oportunidade de fazer esta aí! Paisagens muito belas pelo caminho! Aposto que foi uma experiência linda, ainda mais em companhia do pequeno! 😉

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      projecto100rota

      20 Novembro, 2017

      Pois é o pequeno adorou, boas viagens !

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