Portugal

Vale do Bestança-Paraíso escondido

Serra de Montemuro

Portugal ainda nos poderá surpreender ? Direi que sim.

Carla e eu decidimos partir num fim de semana soalheiro de Dezembro.

Fomos sem destino e sem planos, apenas decidimos à chegada à famosa N1 que iríamos rumo a Norte, assim foi.

Durante os primeiros…100 km, surgiram várias ideias, Porto ? Minho ? hum…não, demasiado longe para um fim de semana “imprevisto”. Interior, Serra da Estrela ? “Vá lá temos de decidir…” Salamanca ? Ainda mais longe… Ok, vamos almoçar.

Retemperadinhos, chegados ao carro para partirmos, lembrei-me que umas semanas antes um dos meus colegas de trabalho tinha me falado num local segundo ele: “porreiro…” para passar o fim de semana, “ali algures entre Castro d’Aire, Lamego e Cinfães, numa Serra que não me lembro o nome, passou muito tempo desde que lá estive” afirmou. Carla pega no mapa, e informa-me  ” a única Serra que vejo aqui nessa zona segundo essas indicações é a Serra de Montemuro”, e então ? vamos ver ? Pode ser que seja “porreiro”, “Vamos !” retorquiu Carla. E fomos…

Já depois de Coimbra, decidimos fugir do IP3, lembrava-me das minhas viagens em miúdo com o meu pai e as suas peripécias como camionista em direção a Viseu pela velhinha e quase centenária N2 que percorre o interior de Portugal de Norte a Sul, de Chaves a Faro, sendo a mais longa estrada nacional do nosso país. Mais curvas é certo, mais devagar sim, mas faz-me recordar pequenos instantes vividos com ele, pequenas falas aqui neste sítio, pequenos gestos ao passar ali, uma paragem para um sumol de ananás e uma sandes para mim, um café para ele… Tudo boas imagens que passam na minha memória que nem slides ao dobrar essas curvas e lugares.

   Iniciando a subida do Montemuro, Viseu e as suas rotundas ficaram para trás, Carla e eu estávamos um pouco inseguros da estrada que tomaríamos para ir de encontro ao tal sítio “porreiro” uma “espécie de vale bonito entre Cinfães e Castro D’aire” tinha dito o meu colega. “Ok Carla temos de perguntar” e assim foi, ao primeiro transeunte avistado perguntámos por um tal “vale bonito…”

Uma hesitação…Mais umas dicas, e,  Pimba ! Na mouche ! O transeunte dispara com uma certeza invulgar: “É o Vale do Bestança”, Vale do Bestança ? Será que o homem tem a certeza ?

Rio Bestança

 “Ora diga lá então como vou até ao Bestança!” respondi. “Olhe, não tem nada que enganar, sai no próximo corte em direcção a Cinfães, chegando lá pergunte de novo… ” Siga para o Bestança pois então. Paisagem tanto de austera como de bela, Serra de Montemuro, pouca floresta (quiçá devido aos incêndios florestas), muito granito, não há rebanhos é inverno e eles estarão resguardados do frio,  descemos e avistamos de soslaio (ou melhor Carla avista, eu conduzo !) a Serra da Estrela ao longe e todo o seu sistema montanhoso adjacente. Depois de uma descida nova subida e temos o momento alto da tarde, chegámos ao cume do Montemuro em plena N321, é literalmente um ponto de viragem, de um lado granito impera, fica para trás, do outro verde, floresta é o que nos se coloca no caminho, será que tem alguma coisa a ver com o “tal do Bestança” ?

Vista do Montemuro sobre a Serra da Estrela ao fundo

 Aí segue a nossa “carripana” descendo a N321 após pararmos para contemplar as vistas do alto do Montemuro, agora com floresta a nosso lado chegamos a Cinfães, temos de arranjar sítio para dormir ora pois, mais uma vez o GPS do “bate boca”, “Desculpe, conhece por aqui um sítio tranquilo para ficar as próximas 2 noites ?” perguntou Carla. “Olhe menina, conheço o sítio ideal para vocês, chama-se Casa do Moleiro e fica lá em baixo no Vale do Bestança”. A sério ? ele disse Vale do Bestança ? bom, deve ser mesmo “porreiro” vamos, vamos que se faz tarde.

 Uma ponte, um rio, “olha, chama-se rio Bestança !” avistamos uma placa que nos indica a direcção da www.casadomoleiro.com , não hesitamos, rendidos à primeira vista pela calma, pelo verde, pela autenticidade… ficamos. Somos recebidos de braços abertos.

  Cumprimentos iniciais, somos logo informados de que basta descermos a rua, entrar num caminho no meio da floresta e estamos no Bestança.

E é Bestança pois então, depois de uma noite tranquila nesta bucólica paisagem, seguimos à risca as indicações e… encontramos…(não me importo de usar clichés) um vale, mas um vale encantado, incrustado entre o Montemuro e as vinhas do Douro e o seu “respectivo” rio, fui surpreendido, o meu país surpreendeu-me, fiquei feliz, é o lado bom de não procurar nem pesquisar nada antes de partir, o Bestança é o nome do rio que atravessa este vale, Bestança porquê ? Porque as águas correm com uma força brutal, o rio é relativamente curto, nasce no topo do Montemuro e vem qual besta por aí abaixo até ao tranquilo Douro, isto tudo em poucas dezenas de quilómetros, o que lhe dá uma força incomum. Obrigado é a palavra que me ocorre, obrigado por ter o privilégio de ter nascido para presenciar estes momentos e estes lugares. Foi o meu Paraíso escondido, encontrarei mais ? Talvez, descubra o seu, descubra o Bestança e o seu Vale.

Encostas das aldeias da zona

ONDE DORMIR : Casa do Moleiro

Pelisqueira- 4690-229 Ferreiros de Tendais

+351 225 024 532
+351 919 355 590

As coordenadas GPS são:

Latitude: 41.04901

Longitude: -8.05641

ou

N 41º 02′ 56”

W 8º 03′ 23”

ONDE COMER : Encosta do Moinho (um dos melhores restaurantes tradicionais em que comi até hoje)

 Gralheira Tel:   255 571 159

NOTA:São apenas sugestões de boas experiências que vivenciei e não tenho qualquer tipo de contrapartida por recomendá-los

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