Portugal

Visitar a costa alentejana | Onde o interior está mais perto do mar | Sudoeste Alentejano

Fechem os olhos. Agora imaginem comigo um lugar onde o cheiro a mar se mistura com o cheiro a alfazemas, rosmaninhos, tomilhos. Um lugar onde quando acordamos de manhã podemos decidir se caminhamos entre a frescura da maresia, ou à sombra do forte calor por entre vales e montanhas cobertas de feno dourado.

Um lugar onde podemos ver turistas de toda a espécie, ou ao invés passear nas aldeias e cumprimentar gente de um passado duro de trabalho nos campos, mas que agora merece ter apenas a preocupação de saber o que vai ser o almoço.

Um lugar onde nas ementas dos restaurantes o peixe e a carne são actores principais, pondo à prova a paciência dos empregados de mesa na indecisa escolha dos vorazes clientes.

Um lugar em que podemos ficar com o corpo cheio de sal de manhã e ao final do dia jantar ao som das cigarras, das vacas ou das ovelhas, quiçá acompanhados de uma ou outra picada de chatas melgas.

Este lugar tem uma marca registada. E essa marca é: Sudoeste Alentejano!

A convite do Município de Odemira, o 100rota passou um fim de semana explorando parte do mais extenso concelho de Portugal, ficando alojado na relaxante herdade NATURARTE-Turismo rural.

Nestas andanças sabemos perfeitamente que o tempo nunca é suficiente para conhecer tudo. Ainda assim, tivemos o privilégio de ser acompanhados pela incansável Marlene Coelho –responsável pela comunicação do Município– que sendo filha da terra soube como ninguém mostrar-nos o que faz desta região um lugar singular, facilitando-nos bastante o trabalho no fim de semana da FEITUR-Feira do turismo desportivo e natureza.

Neste artigo deixo-vos o que visitámos apenas no primeiro dia por terras do sudoeste de Portugal.

A BARRAGEM DE SANTA CLARA

Nem de propósito. Cumprem-se precisamente neste ano de 2019 os 50 anos de existência desta obra estruturante para a região, não só para a rega dos campos agrícolas, mas também para o fornecimento de água à população. A albufeira tem uma profundidade máxima na ordem dos 80m de profundidade, mas já teve mais. É assustador saber que nos últimos 2/3 anos o nível baixou cerca de 15 metros! Em muito contribui o aumento da produção agrícola intensa de vegetais e legumes nesta região, ao mesmo tempo que o nível médio de precipitação baixa a cada ano que passa.

Prova disso são ruínas que voltam a estar a céu aberto assim como antigas árvores e as marcas bem visíveis nas margens da albufeira.

Uma boa maneira de conhecer o local, ajudando quiçá à tomada de consciência do problema, é sem dúvida fazer um passeio de barco ou kayak. Uma das empresas que o faz é a BASS CATCH in Santa Clara, experimentámos e recomendamos vivamente; não só pelo passeio relaxante –que pode ser mais radical– mas também pelas dicas e conhecimento que demonstram ter.

Para quem é adepto de observação de pássaros saiba que pode encontrar aqui sobretudo aves como garças ou corvos-marinhos. As gaivotas também podem dar um ar da sua graça, especialmente se houver tempestade no mar.

Se estiver interessado em desligar-se das coisas mundanas do dia a dia a zona é perfeita. O silêncio é esmagador e não há rede de telemóvel. Ficámos convencidos.

ENTRADA DA BARCA | ANTIGO PORTO DE PESCA ARTESANAL

À primeira vista pode passar despercebida a importância deste pequeno porto de pesca, sobretudo para quem chegará cheio de fome ou que saia refastelado do excelente restaurante, “O Sacas.”

O Município de Odemira chama-lhes PORTINHOS DE PESCA, pequenos portos de povoações piscatórias de pequenas dimensões e importância a nível nacional, mas que –segundo o sítio do Município: “assumiam extrema importância no contexto local e regional, pois eram responsáveis pelo emprego de muitos homens e mulheres que nem sempre conseguiam trabalho no campo, ajudando assim a sustentar a população empobrecida“.

O local faz parte do TRILHO DOS PESCADORES da ROTA VICENTINA. O porto é também considerado por decreto, zona de abrigo para a naútica de recreio.

Se apenas estiver interessado no peixe, a lota é até às 11h, excepto ao Sábado!

A ROTA VICENTINA– Percorrer a pé uma das mais bonitas regiões do mundo!

Eu sei, eu sei. São sempre arriscadas e relativas este tipo de afirmações, todavia, não preciso de pensar duas vezes para a manter. A Costa Alentejana é mesmo uma das regiões mais bonitas do mundo!

O que é imperdoável para mim, é o facto de ter viajado tanto por esse mundo fora e não ter feito ainda aqui na totalidade -pelo menos um- dos famosos percursos a pé da ROTA VICENTINA.

Um dos mais famosos trilhos de toda a rota , mas também dos mais exigentes –devido a algumas partes do percurso serem na areia- é o TRILHO DOS PESCADORES. São mais de 100km –” Sempre junto ao mar, seguindo os caminhos usados pelos locais para acesso às praias e pesqueiros.”in Site Rotavicentina.com

Com vários prémios e nomeações internacionais não deixem de visitar o sítio na internet que contém todas as informações acerca da rede de percursos pedestres no Sudoeste Alentejano. São 450km para caminhar, ao longo de uma região sempre entre dois mundos, o rural e interior e a costa ainda selvagem.

Podem consultar aqui o sítio: ROTA VICENTINA.

Rede de percursos da Rota Vicentina

É sempre árdua tarefa escrever sobre tanto em tão pouco tempo e ainda mais árduo é escrever sobre uma região que merece mais do 2/3 dias de visita. Não quero escrever-vos aqui nenhum tratado de viagem, mas se vos deixar curiosos e com vontade de visitar a bela e genuína Costa Alentejana podem crer que me deixam feliz. Num Portugal tão fustigado pelos incêndios e destruído na sua paisagem em tantas regiões, há que lutar pela preservação dos nossos AINDA escassos tesouros. A Costa Alentejana é um deles, sem dúvida. Pela paisagem, pelos cheiros, pelas gentes, pelas caminhadas, pelas praias, mas sobretudo pelos contrastes, e é o contratse que faz deste lugar uma forma de arte viva!

Info: Este artigo foi escrito no âmbito de uma press trip organizada pelo Munícipio de Odemira.

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