Israel, Médio Oriente

Visitar TELAVIVE | O epílogo da minha experiência pela “Terra Santa”

Vinha um pouco cansado fisicamente, mas também algo absorto em pensamentos devido à presença diária na minha viagem, do assunto: “conflito”. Talvez Telavive fosse um bom lugar para me fazer esquecer um pouco de todas as contradições, surrealismos e tensões. Mas será que foi ??

UM POUCO DE HISTÓRIA SOBRE TELAVIVE:

Telavive é uma cidade recente, fundada nos inícios do séc.XX. Nesta época e em resultado do GRANDE MOVIMENTO SIONISTA chegaram aqui de barco dezenas de famílias judias, ocupando as dunas das praias a norte da cidade antiga de Yafo/Jaffa maioritariamente árabe e principal porta de entrada na terra santa.

Praia de Telavive

A ideia era fundar aqui a primeira cidade hebraica do mundo. Mas havia que distribuir terra, então decidiram-no através de um sorteio utilizando 66 conchas brancas e 66 cinzentas. Nas brancas estavam o nome das famílias e nas cinzentas o número do lote do terreno. A partir daqui nasceu a Telavive moderna e vibrante que conhecemos nos dias de hoje.

A MINHA PASSAGEM POR TELAVIVE:

Visitei Telavive vindo de Jerusalém sendo este o meu destino final antes do regresso a casa após quase 1 mês de uma viagem pela Jordânia, Israel e Palestina. 

A chegada não foi muito prometedora. A muito “freaky” estação de autocarros de Telavive não tem quaisquer sinais e indicações que não estejam em hebraico. Aliás, minto…o único que tem é o da indicação de abrigo em caso de ameaça de míssil…ou outra catástrofe, o que no momento –e ainda bem- não era o que mais necessitava.

Indicação de abrigo na estação de autocarros

Na prática, a cidade divide-se numa parte velha que não é mais do que a cidade mítica de um dos mais antigos antigos portos do mundo, a cidade velha de Jaffa ou Yafo e a parte nova que hoje em dia rodeia toda a sua área.

A verdade é que confesso que apreciei bem mais a Telavive moderna, cheia de cafés, restaurantes, mercados, a chamada “vida de rua” do que a histórica Jaffa. Não obstante, aqui visitei especialmente 3 lugares que gostei bastante.

O QUE VISITEI EM JAFFA:

Porto de Jaffa: Dizem que é o porto mais antigo do mundo. Acredito. Aqui tive um dos pôr do sol mais cénicos que presenciei até hoje. Mas também diga-se que as saudades da família já provocavam estragos na minha sensibilidade.

Sorte teve um simpático casal holandês que devido ao meu “estado” foi fotografado -sem saber- a assistir a esse espectáculo. Como sou generoso no final trocámos contactos e tratei de lhes enviar as fotos.

 

Igreja de São Pedro: Foi uma bonita descoberta. Além da localização privilegiada com vista sobre o mar mediterrâneo, descobri que a sua torre serviu de farol durante séculos para os pescadores, mas também para os peregrinos que acorriam à terra santa. Aqui sentei-me um pouco e tentei absorver um pouco da boa energia que o lugar emanava.

– Clock Tower/Torre do relógio:  Uma das sete torres construída na Palestina no período Otomano situada no meio de uma rua do centro histórico de Jaffa. Hoje tem uma placa evocativa dos Israelitas mortos na batalha da cidade durante a guerra israelo-árabe em 1948.

Flea Market: Mercado nas pequenas ruas que circundam a torre do relógio com lojas de roupa vintage e usadas, velharias, restaurantes e cafés pop-up, boutiques e lojas de design. Fecha ao Sábado.

Loja no Flea Market de Jaffa

Se quiserem explorar mais a fundo a história de Jaffa podem juntar-se a um FREE TOUR que parte todos os dias às 11h e 14h da “Clock tower”. Ainda me juntei a eles, mas como tinha chegado atrasado resolvi afastar-me e segui o meu caminho.

Jaffa é relativamente pequeno, direi que de uma forma tranquila 1 dia dá para ver e contemplar toda a sua dinâmica. Apesar de bastante turística, senti que para os locais acaba por ser um pequeno refúgio para fugir ao maior rebuliço da cidade nova.

Depois daquele pôr do sol lindo, faria sentido por exemplo jantar em Jaffa. E fez sentido, até ver que os preços eram demasiado elevados para o meu bolso. Optei então por comer algo rápido pelo caminho e ir descansar, pois no dia seguinte queria mergulhar a fundo na “verdadeira” Telavive.

DICA: Procure pela Ponte dos Desejos –fica bem próximo da Igreja de São Pedro–  ao longo da ponte pedonal você vai ver algumas placas de metal com os signos desenhados. A tradição diz para você encostar a mão no símbolo do seu signo e pedir um desejo olhando para o mar no horizonte.

O QUE VISITEI EM TELAVIVE:

Carmel Market: Um dos pontos altos na minha estadia. Já tinha gostado bastante do mercado de Jaffa. Mas quando começo a deambular pelas ruas do Carmel Market passei a jogar noutra divisão. Artistas de rua, pintores, artesãos, muita street-food com muito bom gosto, tradicional e internacional, doçarias e pastelarias, roupas novas e usadas, cafés com decoração bem fora do “convencional”, queijarias, vinharias, frutos secos, muitos frutos secos e fruta…tudo mas tudo mesmo aqui se vende.

– Bairro Florentin: O nome provém do seu fundador David Florentin, um grego judeu que comprou estas terras nos anos 20 do séc.XX. A partir de determinada época o bairro entrou em decadência e pobreza chegando mesmo ao quase completo abandono nos inícios dos anos 90. Como em muitas coisas na vida Florentin renasceu das cinzas muito graças aos baixos preços das casas, atraindo assim na sua maioria muitos jovens e artistas. Hoje é um bairro com uma conhecida arte urbana arrojada, bares, restaurantes étnicos e temáticos e muita vida nocturna.

É um local excelente para se ficar alojado e fazer a partir daqui todo o seu roteiro pela cidade 😉 

ALOJAMENTOS NO BAIRRO FLORENTIN

Arte urbana no Bairro Florentin

 

– Gordon Beach: A mais extensa e popular praia da cidade. Creio que o mar acalma, e perante a sua imensidão todos damos conta que somos pequeninos, talvez por isso, por aqui “passeiam-se” todas as religiões e ninguém entra em conflito. A melhor vista sobre a praia é do alto da cidade velha de Jaffa.

Praia de “Gordon Beach”

 

– Cidade “branca” de Telavive: Esta é especialmente dirigida ao pessoal de arquitectura. E é por causa da arquitectura que a cidade está inscrita na lista património UNESCO desde 2003. É mesmo considerada um verdadeiro museu a céu aberto na história da arquitectura. Tudo porque aqui estão concentrados a maior quantidade de edifícios construídos no estilo “Bauhaus” levado por arquitectos judeus europeus e sobretudo alemães que fugiram do regime nazi.

 Porquê cidade “branca” ? Chama-se assim devido às características do estilo. Para dar uma ideia de luminosidade, espaço e praticabilidade, utiliza-se muita pintura em branco, e também, muito vidro, curvas generosas em betão, de preferência com varandas.

 

– Night-life: Passa-se sobretudo em redor e em plena Rothschild avenue, bem perto do Carmel MarketSenti-me tentado e cedi à tentação, mas só em parte, pois beber um copo aqui fica um pouco mais carote do que fazê-lo em Portugal… Telavive é o sonho de qualquer um que aprecie “a vida nocturna”.

Não é que eu estivesse muito para aí virado, mas sabendo que até tour’s oficiais se fazem tinha de ir ver com os meus próprios olhos a energia do lugar. É agitado de facto, são inúmeros bares, restaurantes, pub’s, discotecas, festivais e shows, a programação não tem fim! Muitos com um estilo bem “fora de cena”  e música para todos os gostos. Um dado importante é que não existe horário de fecho, a ideia é fechar só quando o último cliente sair.

Como o meu vôo de partida era de madrugada sentei-me apenas sozinho a olhar para alegria, diversidade e expansividade da malta enquanto bebi um delicioso copo de vinho “kosher”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Achei Telavive uma bolha. Uma bolha no interior de outra grande bolha que é Israel. Não estou com isto a dizer que foi mau ou bom. Simplesmente senti as coisas assim. Talvez tenha sentido isso devido às questões de segurança que sempre me acompanharam nesta viagem. Compreendo que a maioria das pessoas se sintam mais seguras havendo muitos controlos, revistas, “checkpoints”…mas eu não.

Pessoalmente nunca me senti 100% confortável por ver jovens polícias, militares e até professores em visitas de estudo armados com metralhadoras a escassos metros de mim. Percebo que tenham receio…mas de quem ? Terá sido devido a esse facto que sempre me senti mais bem acolhido, à vontade e seguro por terras da Autoridade Palestiniana. Mas isto dava uma longa conversa e não me quero desviar do propósito do post.

Telavive representou muito bem sempre esse sentimento com que fiquei em relação a Israel, ora amava ora não odiava mas punha-me os cabelos em pé com certas coisas que via…e ouvia. 

Apesar de toda esta modernidade, todo este estilo “underground”, alternativo  e liberal da cidade, foi aqui E APENAS AQUI que ouvi coisas vindo da boca de jovens israelitas, tais como: “Estiveste na Palestina ? Uau que corajoso ? Não foi perigoso? Como é lá ?”  Ou então… Palestina ? Isso não existe, é uma farsa, esta terra é nossa!

Tomem nota que não estou a querer tirar conclusões, tenho perfeita noção que não se pode fazer isso só por ouvir meia dúzia de comentários do género, e generalizar é coisa que ABOMINO fazer. Em contrapartida também fiquei a saber que há muitos palestinianos amigos e colegas de trabalho de israelitas, e isso não passa nos “media”.

Todavia, digo eu que, não vale muito a pena parecer fixe, cool, liberal, alternativo, beber copos, lutar pelas minorias, pelas igualdades, pelo amor, pelas drogas leves e pelos animais se depois quando é um assunto que nos é próximo transfiguramo-nos e podemos fechar um povo a sete chaves ou mesmo expulsá-lo. Esquecendo crianças, idosos, doentes…

Foi como se me tivessem atirado um balde de água fria pela cabeça abaixo. A esperança com que fiquei sobre uma resolução mesmo que a longo prazo deste conflito entre irmãos –sim porque israelitas e palestinianos são povos irmãos- até chegar a Telavive era bem maior do que aquela com que fiquei depois de sair da cidade. E isso é um facto.

O BOM DE TUDO ISTO É QUE DE FACTO UMA VIAGEM A ESTA REGIÃO PODE SER UMA GRANDE EXPERIÊNCIA DE VIDA, SE ESTIVERMOS DISPOSTOS E ABERTOS A ISSO.

HÁ SEMPRE PELO MENOS DOIS LADOS DA QUESTÃO. EU ESFORCEI-ME PARA TENTAR PERCEBER AMBOS E FIQUEI AINDA COM MAIS DÚVIDAS, MAS NÃO SERÁ ISSO UM BOM SINAL ?

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SUGESTÕES: Visitei toda a cidade a pé e achei bem exequível pois a cidade é praticamente plana. Há muito mais atrações para ver como Museus, galerias e jardins, não optei por visitá-los apenas por uma questão de tempo, como tenho aprendido a viajar mais devagar para isso teria sido aconselhável mais uma noite. 

  • Fiquei alojado no HOSTEL OVERSTAY BACKPACKERS na Rua Derekh Ben Zvi. A localização era um pouco afastada das principais atrações da cidade pois tinha de percorrer pelo menos 2km a pé, o que para mim não era um problema. Conhecendo agora a cidade, sem dúvida teria optado por escolher um alojamento mais central, por exemplo no BAIRRO FLORENTIN.

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ALOJAMENTOS EM TELAVIVE

 

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