A Nossa Maior Viagem

Viajar: partir, voltar e estar | A nossa maior viagem

A três dias de nova partida, o sentimento é ambivalente. Sempre. Que outra actividade ou profissão me poderia fazer distanciar-me da minha família por mais de 1 mês ? Eu respondo. Nenhuma. 

O momento da despedida é sempre duro. Com jovens descendentes herdeiros ainda mais. Só uma igualdade proporcional entre o amor daquilo que estou a fazer, e o que se sente na despedida me faz agarrar na mochila e sair porta fora sozinho.

Mas assim sinto-me mais vivo, mais inteiro, mais “eu”. A certeza de que “apenas” luto para estar presente quando estou dá-me paz. Essa é a minha maior felicidade. Estar presente quando estou. Não ambiciono nada mais. 

O Médio Oriente espera mais uma vez por mim e o formigueiro, a excitação crescente à medida que a partida se aproxima continua o que é óptimo sinal. Voltarei à minha querida Jordânia com mais um grupo de viajantes Landescape. 

Já aqui escrevi no blog acerca de voltar aos lugares e há quem não o faça por princípio, afinal há tanto para desbravar no mundo, certo? Verdade. Acontece que eu por aqui sou fã e adepto de voltar. Mesmo aos lugares que eventualmente possamos não ter apreciado de alguma forma. O olhar fica mais apurado e descobrimos coisas que jamais seriam descortinados numa primeira impressão.

Liderar um grupo de pessoas todas com sensibilidades diferentes pode não ser tarefa fácil e força-nos a estar em constante alerta, mas ver o brilho no olhar dos viajantes que nos acompanham por estarem em lugares que sempre sonharam toca-me e deixa-me com um sorriso de orelha a orelha.

Depois de terminado o programa sigo sozinho para o Egipto e para o Sudão naquela que é a minha primeira aventura por um país de África “a sério”

O foco é sobretudo no Sudão e é nesse país que passarei mais dias. No Egipto serão apenas meia dúzia de dias enquanto aguardo a permissão para entrar no seu vizinho do sul. Afinal de contas há muito mais pirâmides para ver no Sudão do que no Egipto.

Viajar no Sudão não é fácil, mas não é nenhum bicho de sete cabeças, exige um planeamento mínimo e muita disponibilidade para aguentar altas temperaturas entre Abril e Novembro…que é o meu caso. Em tudo o resto é ter a noção de que não é um país preparado para o turismo e pobre, em contrapartida o feedback de vários viajantes experientes é de que tem um dos povos mais hospitaleiros no mundo. Cá estarei para me pronunciar acerca do dito. Incha’allah.

Viajar sozinho tem destas coisas, sobra o tempo para estarmos connosco e pensarmos. No meio de todos esses pensamentos há um que se destaca: Sonho mostrar mundo ao meu pequenote. Sonho voltar a passar pelos lugares onde estive e contar-lhe histórias. Sonho que ele me faça perguntas sem parar. Sonho que me faça perguntas e eu não saiba responder. Sonho vê-lo correr nas areias do deserto. Sonho vê-lo chorar porque não quer vir embora. Sonho vê-lo sorrir quando quiserem brincar com ele. Sonho vê-lo brincar na terra com outros meninos de outras cores, raças, feitios e credos. Sonho vê-lo adormecer de cansaço.

Mas isso é o meu sonho e eu não desejo fabricar nada nem ninguém. Quero que ele descubra por si. Não quero modelos. Só quero que ele viva. Para isto não é preciso ser longe, ser noutro país, noutra localidade, basta sê-lo no nosso pátio, no nosso jardim, na nossa rua, na nossa casa. Mas tenho que estar presente, e tudo o que quero é estar presente quando estou.

Vemo-nos em breve 😉

Obrigado por me deixarem partilhar estes pensamentos convosco.

Boas viagens!

One Comments

  • Reply

    Adorei este teu pensamento. Não mudo uma linha ao que escreveste a partir da foto do teu filho. Também eu sonho que a Maria sinta o mesmo prazer que eu ao viajar. Mas eles seguirão o seu caminho….
    Nós mostramos nos seus primeiros anos que há muito mundo e que pode ser todo deles. A ver vamos 😉

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