Irão, Omã

A HOSPITALIDADE NO OMÃ E…IRÃO

Depois de experimentar durante quase um mês a “famosa” hospitalidade iraniana, a minha percepção da mesma mudou radicalmente. Quero que tomem nota que ainda não me aventurei pelo Sudeste asiático que “oiço” dizer também dá cartas nesta área.

Assim, e depois de duas viagens ao Médio Oriente posso afirmar COM BASE NA MINHA EXPERIÊNCIA que  se “saber receber” fosse uma arte, e se houvesse prémios de hospitalidade tipo noite dos óscares à “Hollywood” diria que os iranianos ganhariam SEMPRE o óscar de melhor ator, secundados ou mesmo ex aequo por um AINDA desconhecido sultanato de seu nome, Omã.

E porquê ? Sem me alongar demasiado, dou-vos dois exemplos:

1º – Um taxista dá uma volta grátis mostrando a sua cidade cheio de orgulho (por saber que eu era do país do CR7) pára num jardim e ainda me paga um gelado. Onde isto é possível ? Irão.

2º- Vais resolver um problema com o telemóvel e acabas a jantar na casa do proprietário da loja junto com a sua família. Onde isto é possível ? Irão.

3º- Vais a uma loja de telefones, (tipo a nossa “MEO”) comprar um cartão SIM e pedes para aceder um pouquinho à wi-fi e oferecem-te café, bolinhos e jantar…depois de tudo isto acabas por ir a um almoço de família noutro dia com um dos funcionários e ao cinema à noite com um grupo de amigos de outro colega. Onde isto é possível ? OMÃ !

Omã. Pois é… Durante a viagem dei por mim a comparar o grau de hospitalidade entre os dois países que até são vizinhos. A diferença, na minha opinão reside única e talvez, pelo facto de no Irão a sede de querer demonstrar aos forasteiros que o seu país é seguro, (ao contrário do que nos diz a comunicação social diariamente), é muito maior. Omã e os omanitas não têm essa necessidade, enão travam essa batalha, o país já foi classificado várias vezes pelos “media” como um dos mais seguros do mundo.

Posto isto, é verdade que não gosto de generalizar. Mas sou humano, e faço-o hehehe. Achei os omanitas muito hospitaleiros mas também reservados. Mais reservados que os iranianos. Normal. Omã “só” há 30/40 anos se abriu ao mundo, enquanto que o Irão e mais precismente a sua capital por exemplo já foi considerada a “Paris do Médio Oriente”.

Contudo, passada a primeira barreira e hesitação de quem dá o primeiro passo…meus amigos, andam connosco ao colo se puderem. Seguem mais alguns exemplos disto mesmo:

-Foi em Omã que jantei e dormi num posto da Guarda Costeira do golfo pérsico em Musandam, (e olhem que não foi detido), apenas foi o resultado de uma boa conversa ao final da tarde.

-Foi em Omã que me levaram a meia dúzia de lojas, pois às 8h da noite muitas estavam fechadas (2 HORAS ANTES DO MEU CHECK IN !!!) só para me oferecerem 3 caixinhas do doce tradicional “Halwa”, que tive de deixar no aeroporto em Londres…:-(

-Foi em Omã que, acompnhado de um grupo de 4 jovens estudantes, fui ver uma sessão de cinema americano seguido de um passeio numa das praias de Muscat, e ainda como forma de agradecimento pagaram-me uma noite no hotel.

-Na cidade de Sur , o professor Ali, “só porque sim”, deu-me alojamento, saiu da escola mais cedo para me ajudar a conhecer a sua cidade, mostrou-me como se serve o tradicional café omanita e ainda tivemos tempo de ver as tartarugas desovar em Ras Al Hadd…Tudo isto com o seu pai doente.

Agora digam-me, mudariam ou não o vosso pré-conceito de hospitalidade ? Na atual conjuntura, não seremos apenas simpáticos ?

A não ser no Irão que praticamente somos OBRIGADOS no bom sentido a aceitar a hospitalidade (mesmo que à primera vista lhes possamos até “meter medo”), em Omã tem de partir de nós o sinal de que estamos abertos à partilha.

Muitos dos meus amigos por cá na Europa questionam-me: “Mas tu não tens medo ?” e eu só respondo: “E eles ? Também não poderão ter medo de mim ?”.

Mas todos estes preconceitos são normais, nascemos rodeados deles, resta-nos a opção e o privilégio de os poder combater.

Viaje de espírito aberto e vá sem pensar:”este povo é assim ou assado”. O medo e a desconfiança sentem-se no olhar de cada um. Do que tenho visto há pessoas boas e menos boas em todo o lado, pessoas honestas e menos honestas, simpáticas e menos simpáticas, bonitas, feias…

Mas acreditem, tenho encontrado MUITO MAIS mais pessoas boas do que menos boas, e em qualquer parte do mundo todos queremos sustentar a família, educar os filhos, cuidar dos pais, passear e no fundo cada um à sua maneira SER FELIZES !

13 Comments

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    Patricia Camara

    18 Novembro, 2017

    Muito bom Francisco 🙂 É verdade que nos impõe muitos preconceitos. Talvez porque somos bombardeados (se calhar não é o melhor termo lol ) diariamente com as más notícias, e ninguém perder muito tempo a espalhar as boas notícias. Que devem felizmente devem ser muito mais. Obrigado por nos lembrares disso e perderes um bocadinho do teu tempo a fazer-nos pensar.

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      projecto100rota

      20 Novembro, 2017

      Obrigado, somos mesmo bombardeados hahaha

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    Maria João Proença

    18 Novembro, 2017

    Fantástica partilha Francisco 🙂 De facto já tinha ouvido falar da hospitalidade desses povos, mas pelos exemplos que deste, são mesmo algo extraordinário. E é verdade, existem pessoas de todos os tipos em todo o lado do mundo, há é que dar mais importância e generalizar mais os bons exemplos do que os maus!

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      projecto100rota

      20 Novembro, 2017

      Isso mesmo, beijinhos aí para o reino dos Algarves hahaha

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    VICTORIA M FARINA

    18 Novembro, 2017

    Post super incrível contando uma experiência autêntica e real! Fiquei super interessada em conhecer este país tão exótico, quem sabe num futuro próximo 🙂 Parabéns pelo post!

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      projecto100rota

      20 Novembro, 2017

      Obrigado Victoria, boas viagens!

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    Ana

    18 Novembro, 2017

    Epa, fantástico. Especialmente a do taxista. Não fazia ideia desta hospitalidade iraniana. Como julgo que sabes ainda não tive qualquer experiência pelo Médio Oriente. Omã, em especial, tem-me despertado grande curiosidade, muito devido aos posts que tens vindo a fazer.
    Quanto às ideias preconcebidas, é como dizes: resta-nos combatê-las. É complicado fazê-lo quando somos constantemente confrontados com notícias que mais não fazem do que nos transmitir, quase sempre, apenas uma das facetas deste mundo: a má. Mas jamais poderemos deixar que isto nos impeça de viajarmos, de conhecermos, de termos a nossa própria experiência de cada sítio!

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      projecto100rota

      20 Novembro, 2017

      A do taxista é boa…mas como essa no Irão é quase rotina, o que é incrível. Força aí nas viagens !! Bem vinda, de novo!

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    Lid Costa

    19 Novembro, 2017

    Nossa, pelos exemplos que você citou realmente para que o Irã é um país com povo bastante acolhedor. Aqui no Brasil seria difícil um taxista dar uma corrida de graça, mas não seria difícil ser convidado para um jantar ou almoço rs

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      projecto100rota

      20 Novembro, 2017

      haha Então tenho de ir ao Brasil a ver se me convidam para uma boa feijoada…e que mais ?

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    Carla Mota

    20 Novembro, 2017

    O Irão para mim é o TOP da hospitalidade no mundo. Quando viajei para Omã esperava algo do género mas a verdade é que não encontrei isso. Gostei de Omã mas não consegui dizer que as pessoas são hospitaleiras. Pode ser por ser mulher, não sei. Mas como mulher consigo comunicar bem com as mulheres de todo o mundo. Em Omã não consegui. Nem com as mulheres nem com os homens.

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      projecto100rota

      20 Novembro, 2017

      Pois é Carla, as mulheres em Omã de facto são muito fechadas, e vêm se muito pouco, né ? Onde as vi mais foi no mercado das cabras em Nizwa, mas aqui o que é curioso é que muitas até negociavam também os animais, vi um pouco mais porque adei nos escassos transportes públicos, a maior parte eram filipinas, e indianas.
      No Irão a “minha” Carla às vezes também se sentiu de parte pois os homens quando falavam comigo, parece que nem a viam (diz ela) hahahaha mas é compreensível. Como homem que sou posso afirmar que em Omã foram muito hospitaleiros.

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    Viviane Carneiro

    21 Novembro, 2017

    Nossa… que experiência mais incrível! Deve ser demais conhecer o Irã e ainda se surpreender positivamente com a hospitalidade do povo local. Adorei ler seu relato!

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