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Wadi Halfa | Uma introdução ao Sudão

Para quem chega do Egipto como eu, Wadi Halfa é uma cidade perfeita para “tratar” de assuntos logísticos da viagem, mas também para aproveitar e começar a mergulhar na cultura sudanesa. Em última instância é também o ideal para quem chega cansado após a longa viagem Egipto-Sudão.

Perceber os ritmos, perceber a comida, os transportes, os preços, enfim tudo o que nos irá pautar no resto dos dias -com as devidas pequenas diferenças regionais– pelo país fora.

Uma rua de Wadi Halfa

QUAIS SÃO OS ASSUNTOS LOGÍSTICOS A TRATAR ?

– Comprar SIM CARD: É essencial no Sudão. A rede wireless é muito escassa, há três operadoras de telefone/internet móvel no país, Sudantel, MTN e Zain.

Não consegui perceber qual funciona melhor, as opiniões dividem-se. Eu comprei Zain. Na rede de telefone foi impecável, já a de internet era sempre fraquinha só dava mesmo para “googlar” e ver os e-mails. Postar publicações nas redes sociais era difícil.

Quanto ao preço, é muito barato. O cartão propriamente dito custou 20SDG o plano de internet/telefone custou 30SDG e depois ia carregando. Tudo somado 50SDG, são mesnos de 2€.

 

– Fazer o registo na polícia: É obrigatório e tem no máximo 4 dias para o fazer. Quem chega pela capital penso que o poderá fazer logo no aeroporto e ser-lhe-ão dadas as respectivas indicações. Supostamente serve para a polícia não lhe perder o rasto, mas se você disser que vai para A e for para B, ou mudar de planos a meio não me parece que eles saibam onde anda.

Quem chega como eu, o melhor é tratar disso logo em Wadi Halfa, ou de outra forma, teria de em 4 dias estar em Khartoum. Não faria sentido e estragava-me o circuito.

Wadi Halfa é uma cidade relativamente pequena. Basta perguntar onde é o posto de polícia e dizer que pretende registar-se. Aguarda 1h horita e eles tratam de si. Tem um custo de 532SDG, são cerca de 15€, mas é preço fixo, não dá para negociar 😉

Eu esperando pelo meu registo aqui com um dos primeiros amigos, um polícia sudanês, disse-me que ganhava 50€ por mês. Já o tinha conhecido na fronteira e agora estava aqui no quartel.

 

– Dormir a primeira noite no Sudão: É quase sempre uma aventura, uma experiência. O Sudão não está preparado para receber turistas ou viajantes de fora. Não há que esconder, os hotéis para os locais são baratinhos podem ficar entre 50 a 80SDG por pessoa, isto é, entre 2€/3€. Acontece que as condições não são muito boas. Leve o seu saco-cama ou um lençol de casa, nestes alojamentos nunca mudam a roupa da cama.

Em Wadi Halfa poderia ter ficado num local melhor mas achei o preço algo puxado (400SDG) para o que oferecia e para o contexto, então decidi ficar no CANGAN HOTEL por uns meros 70SDG… com direito a ventoinha.

O meu hotel em Wadi Halfa

 

– Comer no Sudão: Emagreci no Sudão. Pois é.  Não varia muito, o Sudão é um país pobre, sabemos isso. Mas não tinha noção por exemplo que para eles o arroz e as batatas poderia ser algo como um luxo. De manhã começava pelo “Falaffel”, que se encontra por todo o lado, mas só a partir do meio da manhã.

Ao almoço ficava-me pela fruta que o calor não me deixava apetite para mais. Nesta época por exemplo, a fruta que encontrava eram sobretudo bananas e guava. Nas maiores cidades via também melancias e laranjas, mas não muito mais que isso. O prato principal e rei no Sudão é o “Full” e consiste em feijão estufado, regado com óleo de amendoim, pão e por vezes podem colocar queijo por cima.  É bom, mas ao fim de 1 semana a comer todos os dias confesso que já não era com grande vontade que degustava o prato nacional do Sudão.

Uma sandes de Falaffel custa 5SDG, menos de 0,40€. Um prato de full fica em 15SDG, cerca de 0,50€.

Depois, nas maiores cidades como Khartoum encontra já outro tipo de restaurantes como pizzerias por exemplo, normalmente geridas por refugiados sírios. Em Kassala, perto da fronteira com a Eritreia havia bastante frango assado acompanhado com arroz.

O prato nacional do Sudão

 

– Transportes no Sudão: mini-bus por todo o lado que ligam sobretudo as pequenas cidades. Partem só quando estão cheios e saem sempre o mais cedo possível na manhã. O custo do bilhete para os locais por norma confere com o que lhe irão pedir, ainda assim, antes de o comprar questione primeiro a um passageiro quanto deve pagar. Prepare-se para ouvir música sudanesa do início ao fim da viagem.

Os autocarros ligam as principais cidades e os trajectos mais longos, são confortáveis e também só partem quando estão praticamente cheios.

A boleia é uma excelente opção no Sudão, não fora os problemas de escassez de combustível no país à data da minha viagem e teria optado pela boleia mais vezes. Fiz de Abri até ao Templo de Soleb, ida e volta e foi uma experiência fantástica.

As carrinhas “mini-bus” no Sudão

 

– Segurança no Sudão: O Sudão no geral é um país muito seguro. Sim, há regiões com problemas como o Darfour ou a fronteira com a Eritreia, ou o Sudão do sul, mas pense no seguinte, estar nesta parte do Sudão fica quase tão longe destes problemas localizados como de Lisboa de Moscovo.

– Trocar dinheiro: Último tópico, mas não menos importante. É muito fácil. Troque na rua, SEMPRE no mercado negro, pode parecer estranho dizer isto mas no Sudão compensa bastante e não irá ter problema nenhum com isso.

Em Wadi Halfa consegue bons câmbios, mas eu até arrisco a dizer que se as coisas não mudarem muito no Sudão consegue bons câmbios em todo o lado, há escassez de dólares e estão a pagar bem. 1 DÓLAR dava-me cerca de 35SDG (libras sudanesas). Nos bancos pagar-lhe-ão pouco mais de 20SDG.

 


Depois, como em todo o lado no Sudão, as pessoas ficam no coração. Aqui, com um amigo (apesar de ser egípcio) ofereceu-me arroz-doce no meu pequeno-almoço de despedida de Wadi halfa.

Viajar no Sudão não é nenhum “bicho de sete cabeças” mas já exige alguma “endurance” por parte do viajante, principalmente se o fizer de forma independente.

Por tudo isto e pela dimensão da cidade penso que é uma porta de entrada mais “suave” e “doce” do que se entrasse pela grande Khartoum por exemplo.

Foi também daqui parti para Abri, visitei as aldeias núbias e o Templo de Soleb sempre com o Nilo como companhia.

 

Até já!!

Por favor, atentem que em assuntos logísticos as coisas podem mudar de um dia para o outro. Comigo passou-se assim e é isso que partilho convosco.

Qualquer dúvida não hesitem e entrem em contacto comigo, através das redes sociais ou deixando aqui comentário.

 

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