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VIAGEM AO SUDÃO | ROTEIRO DE VIAGEM NO SUDÃO | ÁFRICA

Uma perspectiva das pirâmides de Meroe

O Sudão é um país cheio de história, com alguma diversidade paisagística mas acima de tudo com gente muito hospitaleira. Mas também é um país com uma carga de preconceitos e ideias um pouco distorcidas da realidade que o afastam sucessivamente ano após ano das rotas do turismo. Por tudo isto,  planear uma viagem ao Sudão pode não ser fácil, mas é aqui que eu entro.

A proposta que vos trago, tem a particularidade de ter entrado no país por terra vindo do Egipto  simplesmente porque fiz escala no Cairo, e queria descer  o percurso ao longo do Nilo a partir de Aswan, a cidade do Egipto mais a sul.

COMO IR DO EGITPO AO SUDÃO POR TERRA-ABRIL 2018

O tempo para viajar para mim é sempre escasso, quero sempre mais, ainda assim 3 semanas foi um bom compromisso para andar pelo país sem pressas. Por visitar ficaram –entre outras cidades- a região do Darfour e a cidade costeira de Port Sudan. Quanto ao Darfour ao que apurei junto dos locais teria sido possível fazê-lo, que afirmavam constantemente que só precisaria de mais cuidado já junto à fronteira com o Chade, e registar me nos postos policiais. Quase cedia à tentação, mas aqui quem ditou lei foi o tempo.

Posto isto, encarem apenas este roteiro como uma sugestão ou um ponto de partida para elaborarem o vosso próprio programa em função do vosso tempo e interesses. Vamos?

ROTEIRO DE VIAGEM NO SUDÃO

DIA 1- Chegada a WADI HALFA

Meninos sudaneses que foram à compras à cidade

Cidade fronteiriça com pouco para ver mas muito importante para absorver o primeiro impacto do país, e fazer assim uma espécie de introdução ao Sudão. 

Só aqui param os viajantes que entram por terra vindos do Egipto. Como cheguei já quase ao fim do dia optei por ficar e pernoitar. É fundamental fazer o registo aqui na polícia, e se quiserem podem também comprar logo aqui um cartão SIM -que são muito baratos- para poderem aceder à internet e fazerem chamadas.

Podem pedir ajuda no hotel ou logo na própria loja para activarem o cartão, não saiam se ter a garantia de que está a funcionar!!

 

DIA 2/3/4 – ABRI 

Uma casa núbia típica nos arredores da vila de Abri na Ilha de Arnata

Visitar esta região do norte do Sudão foi um dos motivos que me fizeram entrar no país vindo do Egipto, pois de outro modo teria de voltar para trás para a capital para regressar, e tinha mesmo muita curiosidade em estar nestas aldeias perdidas ao longo do rio Nilo. Por aqui a maioria do povo é de origem núbia,  um dos povos mais antigos de África e começamos a sentir uma hospitalidade e amabilidade fora do comum.

                        Meninos brincando nas margens do Nilo ao pôr do sol

O Nilo aqui é quem ordena, é ele que marca o compasso da vida desta gente. Gostei tanto de estar aqui que permaneci 3 dias completos. Além de visitar as várias ilhas ao longo do Nilo e as suas aldeias podemos também visitar o Templo de Soleb,  um dos mais grandiosos templos da antiga núbia do século XIV BC, mandado construir por quem também ergueu Luxor no Egipto. Mais que isso é deambular pelas aldeias, observar o modo de vida local, apanhar boleias nos barcos e interagir com os locais.

 

DIA 5/6/7/8- KERMA- (Dongola)-KARIMA

Vista desde o Jebel Barkal sobre as pirâmides de Karima, antigo reino de “Napata”

Neste pequeno percurso de pouco mais de 200km aconteceram algumas coisas… interessantes. Presenciei uma inesperada história de amor , e visitei as minhas primeiras pirâmides em Karima.

Utilizei o mini-bus (partilhado) como transporte. Aliás, fi-lo em todo o país à excepção da viagem Khartoum-Kassala que foi em autocarro, e em pequenas deslocações utilizei o táxi. Nem sequer foi preciso pesquisar nada, limitei-me a perguntar no local como fazer para me deslocar para a cidade/destino seguintes.

 

DIA 9/10/11 – ATBARA-MÉROE

O meu “acampamento sob um céu estrelado” junto às pirâmides de Meroe

Foi por estes dias que passei uma das mais gratificantes experiências da minha vida; Dormir ao relento junto às pirâmides de Méroe, nas imediações da casa de um sudanês, que conheci no complexo das pirâmides.

Foi um rol de emoções. Depois de uma tarde a brincar com crianças que faziam artesanato com as rochas do deserto, caminhei no breu da noite para chegar às imediações de uma aldeia e aí instalar-me ao relento. Anos e anos a ouvir falar horrores sobre este país, e ali estava eu, ao ar livre, posto à vulnerabilidade de todos os elementos, fossem eles da natureza, animais ou humanos.

Tudo isto, e por pouco esquecia-me de vos dizer que também visitei as pirâmides. E como manda a lei ao pôr do sol com uma luz fantástica!

 

 

DIA 12/13/14- KHARTOUM

Foi a minha primeira passagem pela capital sudanesa. Resolvi permanecer por aqui dois dias antes de visitar Kassala basicamente porque queria assistir ao ritual ao ritual muçulmano Sufi  que ocorre todas sextas feiras (excepto na época do ramadão). Foi difícil encontrar o local da cerimónia mas valeu bem a pena o esforço. O que é maravilhoso é que qualquer pessoa, independentemente das suas crenças, pode juntar-se ao ritual e entrar em transe junto dos locais. Imperdível a quem queira visitar o Sudão.

 

DIA 14/15/16/17- KHARTOUM-KASSALA

Mesquita KHATMIYAH nos arredores de Kassala

Visitei Kassala após uma longa viagem de 7 horas de autocarro desde a capital, KhartoumDediquei-lhe 4 dias e foram muito bem empregues. Uma das minhas mais gloriosas jornadas aconteceu também aqui num passeio de bicicleta ao fim da tarde até junto das montanhas.

A cidade está a poucos quilómetros da fronteira com a Eritreia e o ambiente que aqui se respira é de uma cidade muito comercial mas também rural. É já o cheiro intenso a África que nos invade a alma.

Estar e conversar com os (e as) locais, no colorido e efervescente mercado foi o meu principal passatempo.

                        Jovens que conheci no mercado de Kassala 

 

DIAS 18/19/20- KHARTOUM

Entrada do Museu Nacional do Sudão

Vamos ver. Não achei a capital sudanesa uma cidade bonita (dentro daquilo que obviamente eu acho bonito). As ruas tinham lixo q.b, o calor era imenso, as sombras eram poucas e não tem um centro compacto como eu gosto. Mas Khartoum não está ali para me agradar. Khartoum está ali para cumprir a sua função de capital no comércio, na indústria, nos transportes e nas infraestruturas estatais, de um país que se debate com muitas dificuldades económicas, e, apesar de poeirenta não parece nada uma cidade sub-desenvolvida de África.

Não obstante, a cidade oferece-nos algumas coisas interessantes, tais como; O Museu Nacional do Sudão, a confluência dos Rios Nilo azul e Nilo Branco, o gigantesco mercado de Omdurmam – onde nas imediações se realiza o ritual muçulmano sufi – e porque não incluir aquele que porventura até será o edifício mais incónico da cidade, o Hotel Corinthia, onde pode fugir ao calor numa visita ao lobby e “compensar” o uso do espaço com um almoço ou jantar num dos restaurantes com vista para “os Nilos”.

                        Vista do restaurante do Hotel Corinthia sobre o “encontro dos Nilos”

NOTAS FINAIS: Viajar no Sudão não é das viagens mais “fáceis” do mundo, mas também não é aquilo que eu próprio pensei antes de embarcar nesta demanda. Os bons alojamentos são caros (quando os há) e daí para baixo a oferta não é boa. É relativamente fácil percorrer o país de transportes, mas sempre que o queira fazer faça-o de manhã bem cedo, no máximo até às 8.30h. No geral achei o país muito seguro mas isso é relativo aqui, como é em Lisboa.

A comida é boa mas pouco variada, o Sudão é um país pobre e para terem uma ideia o arroz é caro, o prato de eleição é o “full” uma espécie de estufado de feijão…com feijão, acompanhado por vezes com queijo de cabra por cima ralado e regado com óleo de amendoim (por vezes em excesso). Muito falaffel a 0,05€, e algumas carnes grelhadas pelas ruas, poucas.

QUALQUER DÚVIDA MAIS ESPECÍFICA E NÃO HESITEM!! DEIXEM COMENTÁRIO QUE O MAIS BREVE POSSÍVEL RESPONDEREI.

BOAS VIAGENS!

Francisco

      

2 Comments

  • Reply

    Filipe Morato Gomes

    13 Outubro, 2018

    Fantástico, este está mesmo na minha lista, a ver se no próximo ano consigo lá dar um salto… Obrigado pela partilha! 🙂

    • Reply

      projecto100rota

      13 Outubro, 2018

      Obrigado Filipe, espero que consigas incluir na lista,e que gostes de…feijão hahah. Grande abraço!

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